quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Os espiritos do mar

 

CHICO XAVIER E OS ESPÍRITOS DO MAR

Numa noite tranquila, Chico Xavier, ao lado de sua amiga Suzana, decidiu fazer algo diferente.
Eles estavam conversando, e ele expressou o desejo de conhecer a famosa praia de Copacabana.
“Vamos caminhar no calçadão”, ele sugeriu, com aquele brilho no olhar de quem ansiava por algo especial.
Suzana concordou, e os dois partiram de táxi em direção à Avenida Atlântica.
Era quase 10 da noite, e o ar fresco do mar enchia o ambiente com uma calma peculiar.
Assim que chegaram e começaram a caminhar pelo calçadão, Chico fixou o olhar no mar, sendo tomado por uma emoção profunda.
Com os olhos marejados, ele confidenciou a Suzana: “Você não sabe o que estou vendo…”. Suzana, curiosa e respeitosa, apenas aguardou.
“Estou vendo os espíritos do mar”, ele continuou, descrevendo seres não humanos, mas emanando uma presença espiritual suave e acolhedora.
“Eles estão na arrebentação das ondas, olhando para nós com ternura, mas poucas pessoas aqui parecem perceber a presença deles.”
Enquanto caminhavam, observaram uma mulher que, mais adiante, se aproximou da areia.
Calmamente, ela cavou um pequeno buraco e acendeu uma vela, parecendo realizar um ritual de oferenda. Ao fazer sua oração e agradecimento, a mulher se despediu, deixando sua oferenda acesa.
Após a sua partida, Chico e Suzana testemunharam algo extraordinário. Ele viu os espíritos do mar se aproximarem da vela, como se estivessem “carregando” sua luz para o oceano.
Era uma dança espiritual, onde os seres do mar absorviam aquela oferenda, levando consigo a intenção e os desejos da mulher, como um elo entre o humano e o divino.
Chico ficou emocionado. Aqueles espíritos transmitiam bênçãos e energias de cura à mulher que fizera o pedido, em uma resposta silenciosa e amorosa.
Ele compartilhou com Suzana que essa experiência era única.
Embora ele já tivesse presenciado fenômenos espirituais semelhantes em chácaras e fazendas do interior, nunca havia visto algo assim na praia.
Mais tarde, enquanto olhava novamente para o mar, Chico avistou um homem em oração, com os olhos fixos nas ondas.
De repente, uma caravana de espíritos surgiu no horizonte, caminhando sobre as águas e se dirigindo ao homem em silêncio reverente.
Os espíritos circundaram-no, como se estivessem colhendo seus pensamentos e preces, para então, lentamente, retornarem ao oceano, como uma brisa suave.
Chico, absorvido pela grandiosidade daquele momento, refletiu com Suzana sobre a simplicidade e a profundidade de observar a natureza sem pressa, apenas permitindo-se estar.
Ele percebeu que, na serenidade do mar e na liberdade de ser apenas ele, sem rótulos ou expectativas, sua percepção espiritual se expandiu.
Naquela noite, ele encontrou mais do que espíritos do mar: encontrou a beleza de uma comunhão pura com o universo.
(Casos de Chico Xavier; adaptação Hugo Lapa)


sexta-feira, 28 de julho de 2023

LEIA NESSES DEPOIMENTOS
as passagens onde os comunicantes relataram a seus familiares encarnados
O QUE SENTIRAM NO MOMENTO DA MORTE.
(Obs. As mortes por SUICÍDIO não constam dos depoimentos abaixo.)


 

Saber não é tudo.
Só o amor consegue totalizar a glória da vida.
Quem vive respira.
Quem trabalha progride.
Quem sabe percebe.
Quem ama respira, progride, percebe, compreende, serve e sublima, espalhando a felicidade.
Siga, pois, seu roteiro, louvando o bem, esquecendo o mal e edificando sem repouso.
Se o caminho é áspero e sombrio, prossiga com destemor.
Lembre-se que na vanguarda há mais amplo local para a sua esperança.
Busque ouvir a mensagem do amor, onde passe.
Estude amando.
Responda aos imperativos da evolução, amando onde esteja.
Atenda ao semelhante, amando com alegria.
Satisfará, em tudo, à você mesmo, amando sempre.
Na marcha ascendente para o Reino Divino, o Amor é a Estrada Real. As outras vias chamam-se experiências que a Eterna Sabedoria, ainda por amor, traçou à grande viagem das almas para que o espírito humano não se perca.
Antes de você, o amor já era.
Depois de você, o amor será.
Isso, porque o Amor é Deus em tudo.
Viva, assim, a vida, amando-a para entendê-la.
Viver e amar…
Amar e compreender…
Compreender e viver abundantemente…
Ângulos de uma verdade só – A Vida Eterna.
No entanto, viver sem amar é respirar sem trabalho digno; querer com exclusivismo entontecente é contemplar situações e circunstâncias com apriorismos que geram a enfermidade e a morte.
Se você sabe, portanto, o que é viver, por que não vive?
Só vive realmente quem ama.
Só ama efetivamente quem age para o bem de todos.
Só age, sem dúvida, para o bem de todos, quem compreende que o amor é a base da própria vida.
Fora dessa verdade, há também movimento e ação de sombra que tornará fatalmente à luz em ciclos determinados de choro, aprovação e martírio.
Nada novo, sempre a Lei, que funciona compassiva, mas inexorável, restituindo a cada sementeira a colheita certa.
Comande a embarcação de seu destino e não atribua a outrem os erros que as suas mãos venham a cometer.
De você mesmo depende a própria viagem.
Instrua a você, sem procurar encobrir, ante a própria consciência, as faltas que lhe arrojam a alma ao desencanto ou ao agravo das próprias necessidades do espírito.
Ainda que a noite lhe envolva o passo, alente, no imo do ser, o dia eterno da fé.
Não se confie ao sabor da invigilância, para que a invigilância não lhe arraste a existência ao sabor do sofrimento.
Antes de nós, o Universo era o Santuário da Glória Divina.
Lembremo-nos, pois, de que Deus nos criou para acrescentar-Lhe a grandeza.
Não Lhe diminuamos o esplendor, cultivando a treva…
Enganaremos a forma.
Jamais enganaremos a vida que palpita, triunfante, em nós mesmos.
Aprenda a buscar aquilo de que você carece no próprio aperfeiçoamento, antes que alguém lhe ensine a preço de aflição.
Busque o roteiro exato, antes que outros se lhe ofereçam, no dia de sua perturbação, para guias de sua dor.
Força é poder. Ideia é força.
Mas só o amor condiciona o poder para a vitória da luz.
Ame o caminho. Caminhe e vença.
Anote hoje os seus movimentos, no ritmo do trabalho e da oração, e o amanhã surgirá com brilho sempre novo.
Sorria para os lances mais difíceis da estrada e os panoramas próximos e remotos descerrar-se-ão sorrindo à sua alma.
Não pare senão para refazer o fôlego atormentado.
Mais além, é a estrada .
Não escute o murmúrio das sombras senão para socorrer as vítimas do mal, a fim de que os gemidos enganadores do nevoeiro não lhe anestesiem o impulso de elevação.

A fraternidade ser-lhe-á anjo sentinela entre os pântanos da amargura.
Cante o poema da caridade, seja onde for, e as criaturas irmãs, ainda mesmo quando algemadas ao crime, responder-lhe-ão com estribilhos de amor.
Guarde compaixão e a paz ser-lhe-á doce prêmio.
Exemplifique a fé que lhe honra a inteligência e o mundo abençoar-lhe-á todas as palavras.
Amanheça todo dia no serviço que lhe compete e o dever retamente cumprido manterá você, invariavelmente, na manhã luminosa da vida. Antes de amparar a você, ampare aqueles que, desde muito, suspiram pela migalha de seu amparo.
Antes de nossa vontade, a vontade do Senhor.
Antes do bem para nós, o bem necessário aos outros.
Seja para você a justiça que observa e corrige e seja para o irmão de jornada a bondade que ajuda e absolve sempre.
Sobretudo, guarde a certeza de que o amor se emoldura na humildade que nunca fere.
Coloque você em último lugar e a vida encarregar-se-á de sua própria defesa em qualquer parte.
Ainda mesmo com sacrifício, sob chuvas de fel e gritos de calúnia, renda diariamente seu culto ao amor e o amor na própria vida brilhará em sua alma, convertendo-a em estrela para a Glória Sem-Fim.
ANDRE LUIZ


 

 



TEMPO DE PRODUZIR, TEMPO DE PARAR.

EM QUE TEMPO VOCÊ ESTÁ?

"Nunca desconsidere o valor da sua dose de solidão, a fim de aproveitá-la em meditação e reajuste das próprias forças." - ANDRÉ LUIZ

Dias se alternam, semanas, meses e anos passam céleres no calendário da vida... Neste ínterim, dormimos e acordamos tantas vezes e de forma tão mecânica que quase não notamos seu passar. Para falar a verdade, nem reparamos muito nele. Mergulhados no vórtice vital, nos rendemos ao seu poder e produzimos de acordo com o seu ritmo. 

No entanto, e em certas épocas, tudo muda. Nossa disposição em enfrentar um novo dia, ou um novo ciclo, diminui consideravelmente. É desta disposição que queremos falar hoje.

Num dado momento, percebemos uma estranha letargia nos convidando a caminhar por nosso próprio relógio, que parece estar mais vagaroso e desatento. Eis então que nos vemos praticamente num mundo à parte, onde, dentro de um fluir peculiar, tudo é mais pensado e sentido.

Nossas necessidades não são medidas somente pelo mundo tangível: algo que ainda não abrangemos determina o ritmo para avanços e recuos dentro da Criação. As estações do ano nos dão uma pálida ideia de como funciona o universo... Se a primavera e o verão são dias de acordar e trabalhar, dias de viver e de plantar, o outono e inverno representam tempo de se recolher e observar, de colher e de guardar...

Se hoje você acordou num estágio assim, querendo atrasar o próprio relógio, sequioso de mergulhar em si para se achar em algum ponto esquecido da memória, porém necessário ao cumprimento de alguma coisa que ainda não consegue entender, não se sinta culpado ou doente.

Viva este momento com calma.

Reduzir o fluxo, fazer tudo no tempo em que a alma se encontra no momento, eis a chave para não entrar em conflitos desnecessários consigo mesmo e evitando pensamentos do tipo: estou doente? Preciso de medicação? Será depressão? quando o que ocorre é apenas o espírito pedindo trégua, um pouco de relaxamento das tensões materiais e desejando simplesmente respirar em paz. 

Com base nisso, cumpra tão somente as obrigações mais urgentes e inadiáveis, sem se forçar a criar algo novo ou a iniciar um novo projeto meramente para "voltar a render". Não se cobre e não se obrigue a seguir um ritmo no qual você não está no momento.

Ouça mais sua respiração e seu coração. Deixe que ideias que parecem vir de um tempo a parte se materializem na mente, e depois reflita sobre elas.

Permita-se descansar.

Antes de você, os problemas já existiam. Depois de você, os problemas prosseguirão, testando novas vidas.

Pense nisso.

Parar por um tempo não é estagnar, é respeitar suas particularidades. Acordar "outono" é significativo... Hora de separar os frutos maduros do tronco, de deixar as folhas se desprenderam dos galhos, hora de se despir, de perder cascas para se renovar mais à frente... Hora de recolhimento, de introspeção, de sentir o pulsar do mundo em si, num escoar único e diferente, mas do qual sabemos fazer parte... Nada às pressas, mas pelo fluir da Natureza que, agindo de igual modo em tudo e em todos, pede um tempo especial para o preparo da nova floração.

Aproveite este momento sem culpas. Aproveite seu outono ou seu inverno da forma como o coração pede. Se ele está pedindo para parar, pare.

E não se preocupe: mais à frente, como parte da Natureza, você florirá outra vez porque a primavera fatalmente virá, acordando-o em plenitude... Assim como a Natureza, a alma também descansa para depois voltar a florir infinitamente mais bela.

(Lori Damm para o Instituto André Luiz, 02/05/2022)