quarta-feira, 13 de junho de 2018

PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?



 

Ainda hoje os historiadores perguntam-se como um império de tão grande magnitude como foi o da era romana que durou mais de 1000 anos, possa ter deixado de existir. Poder absoluto da época, o planeta vivenciou então a sua primeira globalização, já que as fronteiras eram as do próprio império. O idioma latim era amplamente difundido assim como o grego, tornando-se mais fácil as viagens e a comunicação. Após a queda do império romano, foi necessário um largo período de reencarnações dolorosas para que o homem despertasse um pouco mais a sua espiritualidade, permitindo a expansão das artes e ciências já no período compreendido como Renascimento. Posteriormente, o surgimento do Espiritismo codificado por Kardec, o Consolador prometido por Jesus, trouxe novo alento a todos aqueles que buscam o conhecimento. Pelo conhecimento Espírita, sabemos que a queda do império romano foi uma determinação do Alto. Ao atingir os excessos em vícios de todas as naturezas com a consequente desagregação das famílias, abusando ainda do poder que possuía na subjugação de outros povos, tornaram-se necessárias ações corretivas mais contundentes. Assim, por fugir totalmente da programação que havia sido estabelecida mesmo com a insistente ação do Alto para que despertassem, e por tornar-se um peso demasiado oneroso para a evolução do planeta, determinando a fragmentação deste império. Não existe improvisação por parte das esferas siderais que coordenam a evolução do planeta. O livre-arbítrio que temos, é limitado, tanto a nível individual como coletivo, sendo corrigido conforme as circunstâncias, com interferências do plano maior sempre em benefício de nossa evolução intelecto-moral. Vivenciamos hoje situação bastante similar à época romana. O egoísmo atingindo o seu ápice na sociedade atual, com contrastes gritantes com a fome e a miséria de um lado e a opulência e o descaso de outro, entre nações ricas e pobres e mesmo entre indivíduos nestas nações. O modelo econômico, baseado no consumismo desenfreado gradativamente tem demonstrado a sua exaustão. A insatisfação popular não se restringe mais apenas a países do terceiro mundo, como vem acontecendo no grande movimento chamado de “primavera árabe” que removeu ditadores na Tunísia, no Egito, e na Líbia e agora gerando um clima de instabilidade na Síria. Esta frustração tem surgido de forma nítida nos habitantes de grandes cidades da Europa, como aconteceu em Londres recentemente na depredação de carros e lojas, e em Nova Iorque, no movimento popular “ocupem Wall Street”, que se espalha agora por mais de 82 países. Este contraste na riqueza abusiva e a pobreza dos que não têm acesso aos bens de consumo, associado à corrupção e impunidade, junto à incompetência dos governos em encontrar alternativas viáveis para a melhora social, vem criando uma insatisfação popular cada vez mais intensa principalmente pela falta de religiosidade de nossa humanidade. E, os prognósticos para os próximos anos revelam-se de dificuldades ainda maiores para as famílias em geral, em face da crise econômica mundial que vem afetando todos os países. Mas a humanidade tem recebido inúmeras oportunidades de evitar situações estressantes como a atual. O próprio império romano foi criado por Jesus, de modo a facilitar a transformação moral da humanidade. A facilidade de comunicação tinha por objetivo difundir a mensagem redentora do Mestre. Mas, assim como negligenciamos no passado, agora nos vemos em situação similar. Passaram-se dois mil anos desde o recebimento da mensagem renovadora da Boa Nova trazida por Jesus. Mas isto não impediu as duas grandes guerras de caráter mundial, e mesmo depois delas o mundo ainda não conseguiu encontrar a necessária paz e uma vida dentro dos padrões ético-morais. A violência, os vícios e a corrupção alastram-se como um câncer social, trazendo sérias consequências para a sociedade. Como um catalisador negativo, os valores morais são colocados em dúvida, através da televisão, na sua programação muitas vezes imoral, onde a desonestidade e permissividade sexual assumem ares de normalidade, arrastando para condutas infelizes mentes invigilantes. Mas, a Humanidade caminha em passos largos para o seu aprimoramento moral, mesmo entre o caos social apa­rente. Vivenciamos os tempos chegados, e as pessoas de bem devem fortalecer-se na Fé. A humanidade continuará a evo­luir, como tem sido desde os primeiros passos do Homo sapiens, seguindo a sua trajetória redentora conforme pro­gramado por Jesus. Mas nunca foi tão necessário seguir a recomendação do Mestre Galileu: “orai e vigiai”. Como sempre tem ocorrido ao longo dos séculos, os governantes siderais sem improvisar, manterão o equilíbrio do planeta, saneando a sociedade sempre que necessário. Que possamos contri­buir neste processo renovador, dando os primeiros passos, na transformação moral de nós mesmos.

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terça-feira, 8 de maio de 2018

O espirito da verdade e Allan Kardec

Verdade Libertadora

Realizado o estudo do Evangelho no lar de Josef Jackulack, na noite de 5 de junho, em Viena, Áustria, o tema foi:
“Não ponhais a candeia debaixo do alqueire”, capítulo XXIV, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, após o qual a Mentora espiritual escreveu a presente mensagem.

A verdade sempre predomina.


O culto à mentira é dos mais danosos comportamentos a que o indivíduo se submete. Ilusão do ego, logo se dilui ante a linguagem espontânea dos fatos. Responsável por expressiva parte dos sofrimentos humanos, fomenta a calúnia que lhe é manifestação grave e destrutiva – a infâmia, a crueldade…
A maledicência é-lhe filha predileta, por expressar-lhe os conteúdos perturbadores, que a imaginação irrefreada e os sentimentos infelizes dão curso.
Além desses aspectos morais, a mentira não resiste ao transcurso do tempo. Sem alicerce que a sustente, altera a sua forma ante cada evento novo e de tal maneira se modifica, que se desvela. Por ser insustentável, quem se apóia na sua estrutura frágil padece insegurança contínua.
Porque é exata na sua forma de apresentar-se, a verdade é o inimigo normal da mentira. Enquanto a primeira esplende ao sol dos acontecimentos e exterioriza-se sem qualquer exagero, a segunda é maneirosa, prefere a sombra e comunica-se com sordidez. Uma é fruto da realidade; a outra, da fantasia, que não medita nas consequências de que se reveste.
A mentira teme o confronto com a verdade. Aloja-se nas sombras, espraia-se, às escondidas, e encontra, infelizmente, guarida.
A verdade jamais se camufla; surge com força e externa-se com dignidade. Não tem alteração íntima, permanecendo a mesma em todas as épocas. Ninguém consegue ocultá-la, porque, semelhante à luz, irradia-se naturalmente. Nem sempre é aceita, por convidar à responsabilidade. Amiga do discernimento, é a pedra angular da consciência de si mesmo, fator ético-moral da conduta saudável.
Enquanto a mentira viger, a acomodação, o crime afrontoso ou sob disfarce, o abuso do poder e a miséria de todo tipo predominarão na Terra exaltando os fracos, que assim se farão fortes, os covardes, que se tornarão estóicos, os astutos, que triunfarão em detrimento dos sábios, dos nobres e dos bons…
Face a tais logros, que propicia, não obstante efêmeros, os seus famanazes e cultuadores detestam e perseguem a verdade. Não medem esforços para impelir-lhe a propagação, por saberem dos resultados que advirão com o seu estabelecimento entre as criaturas.
São baldas, porém, tão insanas atitudes.
A verdade espera… Seus opositores enfermam, envelhecem e morrem, enquanto ela permanece.
A mentira é de breve existência. Predomina por um pouco, esfuma-se e passa…
(…) Jesus, em proposta admirável, afirmou: Busca a verdade e a verdade te libertará.
Ninguém tem o direito de ocultar a verdade, qual se fosse uma luz que devesse ficar escondida. Onde se encontre, irradia claridade e calor.
O seu conhecimento induz o portador a apresentá-la onde esteja, a divulgá-la sempre. Pelos benefícios que proporciona, estimula à participação, à solidariedade, difundindo-a. (…)

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Sob a Proteção de Deusocultar a verdade joanna

Que é a Verdade?

Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. Disse-lhe Pilatos: “Que é a verdade?” (João, 18:37).
Decorridos dois mil anos, essa inquirição de Pilatos a Jesus ainda ressoa em nossa consciência.
Que é a verdade? E Ele se calou, talvez porque o legítimo Prefeito da província romana da Judéia não contasse com acervo psíquico-moral para aceitar e compreender as verdades emudecedoras que pudessem brotar dos lábios dúlcidos do Mensageiro Divino.
A verdade de Jesus, naquele tempo, não cabia em nossas almas, e ainda hoje não há espaço para ela. Espíritos de terceira ordem na escala espírita – conforme nos ensina o codificador da Doutrina Espírita Allan Kardec – somos incapazes de aceitar a mensagem de Jesus, e vivê-la em sua plenitude e simplicidade. Talvez pelo fato de ser tão simples, não conseguimos nos ajustar emocionalmente ao seu intrincado valor moral.
Somos criaturas viventes no século 21, atreladas ao falso intelectualismo, que nos afasta sobremaneira do pensamento Crístico do primeiro século.
Jesus personifica a justiça, e nós amamos a injustiça porque andamos pari e passu com seus benefícios efêmeros.
Jesus expressa o amor absoluto, e somos símbolos, estereótipos e desenvolvemos arquétipos das paixões atrofiantes.
Jesus inspira liberdade, e estamos nos atrelando aos velhos conceitos de dominação e subjugação pela matéria e através da mente.
A verdade de Jesus ainda está presa aos lábios dele: ouça quem tiver ouvidos de ouvir.
Que é a verdade? E Jesus mais uma vez contou com os emissários a fim de não violentar nossa mente, um tanto quanto infantil. Aos surdos é preciso gradativamente acostumar-se com o som.
Quando da vinda do Mestre ao Orbe terrestre, contou com João, o Batista, para aplainar o caminho. Não o Seu Caminho , mas o caminho ascensional daqueles que queriam seguir a verdade.
E, mesmo assim, a verdade permanece abafada, conspurcada, camuflada e, por fim, distanciada do pensamento Crístico.
Que é a verdade? Clama a multidão oprimida e massacrada pela descrença e cientificismo do século 19.
As vozes do céu empreendem novos esforços, novas luzes, novos caminhos. Jesus, na sua soberania de Governador Espiritual da Terra, destaca para o trabalho árido e renovador o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, oferecendo a todos que desejarem a mensagem imortalista e consoladora, capaz de libertar as consciências, com as verdades universais.
O codificador Allan Kardec, pseudônimo por ele adotado visando não vincular a Doutrina dos Espíritos nascente a nenhuma personalidade, se vê em momentos angustiantes diante dos caminhos a trilhar. Por onde começar? Pelas conclusões científicas tão discutidas pelos homens da época ou pelas indagações filosóficas tão em evidência no meio cultural? Pensaria ele: seria justo desligar a doutrina dos espíritos do caráter religioso e consolador? Não.
A Doutrina Espírita, renovadora por sua natureza, corporifica-se e estampada na primeira questão de O Livro dos Espíritos a célebre interrogação: Que é Deus?
Desta forma, deixa o legado de um patrimônio universal sobre a verdade, obrigando-nos a todos – cientistas, filósofos, religiosos – a responder tal inquirição, não fugindo à verdade, nunca dantes tão clara e profunda.
Que é a verdade? E o Espirito de Verdade responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, sem usar de violência ou precipitação, sem se arvorar em juiz ou defensor, sem constranger ou afastar as criaturas de Deus. A Verdade é! Simplesmente é…

Notas Bibliograficas:
Evangelho de João 18:37
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 1- Rio de Janeiro: Ed FEB, 2007a verdade conduta

A VERDADE SEGUNDO O ESPIRITISMO

A Verdade é relativa?!


Um questionamento comum ao estudioso do Espiritismo é quanto à verdade e sua possível relatividade. Ouvimos sobre o assunto e as opiniões são diversas, alguns acreditando que sim, outros opinando que não. Afinal, a verdade é relativa?
A resposta não é difícil, mas também não é tão simples de ser apresentada. Desde que procuremos em fontes seguras que possam nos esclarecer sobre o interessante assunto e aproveitemos o precioso recurso da reflexão, encontraremos o entendimento mais acertado sobre esse tema.
A verdade tem sido pauta de discussão desde que o homem entendeu-se com ser racional na busca de respostas para compreender a vida e suas manifestações. Filósofos, pensadores, educadores, cientistas, religiosos, humanistas têm procurado descobrir o real sentido do vocábulo verdade na senda intrincada da descoberta do conhecimento universal.
O filósofo Rene Descartes, em seu clássico Discurso do Método1, chegou a elaborar uma metodologia para a busca do conhecimento verdadeiro. Nesse documento, o conhecido filósofo alcunhou a célebre frase: “Penso, logo existo.”
A razão da existência humana é encontrar a verdade. Mas, por cautela, os amigos espirituais já recomendaram na principal obra espírita:
Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado2. […]
Ao desenvolver criteriosamente o conteúdo acerca do caráter da revelação espírita, Kardec disserta: “A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por consequência, não existe revelação3. […]”
Mais à frente, o Codificador prossegue aprofundando a questão:
O que de novo ensinam aos homens, quer na ordem física, quer na ordem filosófica, são revelações. Se Deus suscita reveladores para as verdades científicas, pode, com mais forte razão, suscitá-los para as verdades morais, que constituem elementos essenciais do progresso. Tais são os filósofos cujas ideias atravessam os séculos4.
Pastorino, em sua reconhecida sabedoria como filósofo do Evangelho, já no Plano Espiritual, nos ensina que
O conhecimento da Verdade liberta o ser humano das ilusões e impulsiona-o ao crescimento espiritual, multiplicando-lhe as motivações em favor da auto-iluminação, graças à qual torna-se mais fácil a ascensão aos páramos celestes5.
O conhecimento da verdade, então, é o destino de toda criatura que anseia pelo entendimento acerca das principais questões da vida, que vem preocupando o homem no decorrer do processo da evolução antropomórfica: de onde vim?; o que estou fazendo na Terra?; e para onde vou depois que partir daqui? São perguntas que as religiões, as ciências e as filosofias ao tentar resolvê-las ainda não lograram êxito. E para as quais o Espiritismo tem as elucidações precisas e satisfatórias ao espírito científico e racional que prepondera em nossa época.
Para acessar essas informações, é imprescindível conhecer os fundamentos básicos do Espiritismo pela leitura e estudo das obras que compõem a Codificação Espírita. Luzes de esclarecimento e bálsamos de consolação são ofertados nesses preciosos livros e em outros complementares, advindos da psicografia de Zilda Gama, Yvonne Pereira, Chico Xavier, Divaldo Franco, entre tantos outros colaboradores do Cristo na evangelização da Humanidade terrena.
*
Em resposta ao questionamento formulado no início desse texto, esclarecemos que a verdade é absoluta. Gradativa é a revelação da verdade e relativa, a nossa capacidade de compreendê-la.
Assim, é natural que, ao encetarmos nossa evolução moral e intelectual, apresentaremos também melhores condições de entender e aceitar a verdade, integrando-nos, em definitivo, aos propósitos divinos que as palavras de Jesus traduzem com propriedade: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”6.
Referências:
1 DESCARTES, René. Discurso do método. Tradução de Enrico Corvisieri. Versão eletrônica. Disponível em: . Acesso em: 9 ago. 2016.
2 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 93. ed., 2. imp. Brasília: FEB, 2016. q 628.
3 ______. A gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 53. ed., 4. imp. Brasília: FEB, 2016. Cap. 1: Caráter da revelação espírita, it. 3
4 ______. ______. it. 6.
5 FRANCO, Divaldo P. Impermanência e imortalidade. Pelo Espírito Carlos Torres Pastorino. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
6 João, 8: 32.sempre luz

domingo, 4 de março de 2018

O MEDO DE AMAR, SENTIMENTO DE CULPA E PAPA FRANCISCO | DIVALDO FRANCO

A Diferença entre Religião e Religiosidade

A decisão de nos distanciar da religião que cega, oprime e conduz o Homem à ignorância deve prevalecer nos homens em que a razão é desenvolvida. O que não podemos jamais esquecer é que o sentimento de "religiosidade" não deve se afastar da prática na vida do homem, pois se isso acontecer, ele perde a noção de quem é, do que está fazendo aqui e todos os seus valores desaparecem com seus atos, torna-o “des-Humano".

A prática da Religiosidade e da Religião são coisas absolutamente distintas e não devem ser confundidas de forma alguma. A primeira independe da segunda, e a segunda lamentavelmente pode também ser encontrada divorciada da primeira. Religião é sempre instituição, acordo social, edifício teórico, organização hierárquica, atividade política. Religiosidade é o sentimento maior (inato), a fé praticada, a posição mais íntima, a intuição do mistério.
Herculano Pires esclarece que esse sentimento se estrutura na consciência humana no ser em evolução, sendo que a marca de Deus ali está presente na Lei de Adoração, que é o sentimento inato de sua filiação Divina e se manifestará no sentimento religioso, base de todas as experiências religiosas da Humanidade.

Ele diz ainda: “A vivência religiosa, pelo simples fato de ser vivência e não reflexão é inerente ao Homem desde o seu aparecimento no Planeta”. A experiência de Deus que começa no “Fiat” como elemento ontogenético (elemento constitutivo da própria gênese do homem) difere da religiosa, que constituem uma tomada de tentativa de consciência de Deus através de formulações religiosas, rituais, Instituições, sistemas litúrgicos, ordenações dogmáticas.
Reforça ainda, conceitos sobre a Trindade Universal, espírito e matéria elementos constitutivos do Universo e Deus o poder criador, onisciente, controlador e mantenedor, e Suas Leis que regem o equilíbrio universal.

Em seu livro “O espírito e o Tempo” com base no esquema chamado “método cultural” dos antropólogos ingleses, aplicado por John Murphy, com pleno êxito em seus estudos sobre as origens e a história das religiões, Herculano nos deixa um verdadeiro tratado de antropologia espírita. Faz uma viagem pelos “horizontes” percorridos pelas Civilizações desde as eras remotas, retratando com clareza o processo de conscientização do ser em evolução e de sua essência Divina, demonstrando que não estamos sozinhos nesse processo cíclico e Universal.
Herculano com essa obra magnífica, permite entre tantos outros conhecimentos, compreender em profundidade a questão 628 do livro dos Espíritos, que não podemos negligenciar nenhuma religião, pois ela pode contribuir muito com a nossa instrução, se estudarmos o que há de bom nelas, conhecendo o poder de influência que teve em nossos caminhos evolutivos e que persistem até os dias de hoje.

Os cientistas da Religião dizem que no Brasil, o fenômeno de sincretismo religioso em comunhão com três culturas fortemente calcadas na mística fez com que os elementos formais de cada uma das três culturas fundissem em uma interpretação comum do sagrado. Assim como o africano, o indígena possui uma visão bastante espiritualista do mundo.
Ambos enxergam-se imersos num universo vivo, dinâmico de forças espirituais e elementais, diante das quais os ritos e a fé são imprescindíveis mecanismos de ação concreta do homem no mundo. Por conta disso a religiosidade que se desenvolveu aqui é por assim dizer, imune à depreciação do sagrado que o ceticismo enseja. Mais do que em qualquer outro lugar, a palavra de Herculano Pires é válida: O ateísmo é flor de estufa, incapaz de viver fora do laboratório e dos círculos mais alienados da vida natural.

Embora a religiosidade do brasileiro respeite os dogmas e o arcabouço teórico das instituições religiosas este respeito é, por assim dizer, um respeito de conveniência.
Assim que o sacerdote de uma igreja se mostrar ineficiente no consolo espiritual ou nas funções efetivamente místicas de seu rebanho ele será substituído pela benzedeira, pelo pastor, pelo médium ou pela mãe de santo. Se algum destes novos orientadores espirituais mostrarem-se mais eficaz no trato com os arcanos o padre será substituído, ou algo ainda mais estranho, será relegado a uma posição social enquanto a importância espiritual será transferida para o novo intermediário. O indivíduo irá à missa, mas não depositará suas esperanças maiores nela. No momento crucial recorrerá ao novo “representante” das forças celestes.

A grande maioria exerce a sua religiosidade com muito mais força do que a imposição religiosa em si. Basta ver as estatísticas de “fuga dos adeptos das religiões” que cresce dia a dia. As pessoas estão em busca de respostas e de soluções para seus diversos problemas, e se não encontram na religião escolhida, buscam outra que os satisfaça. E olha que tem grupos muito bem preparados para estudar os “desejos mais profundos de seus adeptos” e muitos criaram vários “serviços” para satisfazê-los e não perdê-los para outras denominações religiosas.
Se o espiritismo vem de encontro às respostas de tantas aflições humanas porque será que nosso “público alvo” (como denominamos), anda diminuindo tanto?

Apesar de a mídia ter feito por nós uma propaganda em massa nos últimos anos, a favor dos conceitos espíritas e espiritualistas, por vezes até equivocados, o número de pessoas que buscam esse conhecimento não cresce tanto quanto o número de evangélicos e de igrejas pentecostais. Pior! O movimento espírita tem relatado que diminuiu o número de voluntários e trabalhadores nas Casas espíritas, que não conseguem manter as portas abertas todos os dias em todos os horários da semana com atendimentos diversos. No momento não estão preocupado em identificar quais são as reais necessidades daqueles que batem à sua porta e acabam oferecendo um atendimento padrão (salvo algumas exceções em diversos Estados e até em alguns países), alguns acabam fazendo um verdadeiro dês-serviço à Doutrina espírita.

 Entre os seus adeptos e freqüentadores existem diversos problemas de relacionamento, como em todos os lugares, principalmente nas grandes Instituições representativas do movimento, com isso surgiu a necessidade de sermos “afetivos”, nasceu o termo” alteridade”. Cresce o convite para viver o Evangelho tão bem "pregado" e tão pouco "sentido", é o momento de aliar o conhecimento a prática.Talvez isso aconteça por que os excessos de religiosismo estão sufocando o sentimento natural e espontâneo da religiosidade devido a um grande números de almas ligadas à religião dogmática, estarem reencarnados no Brasil e com tarefas importantes no movimento espírita Brasileiro, segundo informações dos espíritos.

Que desafio!
Com certeza precisamos atentar para essas questões que tem levado o Espiritismo no Brasil a seguir caminhos “religiosos” demais fugindo da proposta de religar o Homem a Deus em seu sentido verdadeiro, e não criarmos mais uma religião que pode perder-se “na letra que mata distante do espírito que vivifica”, como fez o Protestantismo, uma esperança de renovação para a época em que ele surgiu.

No livro “Agonia das Religiões” Herculano diz que o místico vulgar não mergulha em si mesmo para encontrar em Deus a relação com o mundo como fez Descartes, mas pelo contrário, desliga-se do mundo e liga-se isoladamente a Deus. Não é guiado pelo amor à Humanidade, mas pelo amor a si mesmo. A busca solitária de Deus torna-se um ato egocêntrico. Que a concepção espírita vai mais longe e mais fundo, negando ao homem o direito de isolar-se do mundo para buscar Deus. O meio natural de evolução para o homem, para todos os seres é a relação... (Lei de Sociedade).
“... enquanto Buda abandona o mundo para buscar Deus na solidão, Cristo mergulha no mundo para religar os homens à Deus.”

Daí o fato de a migração entre Religiões ser tão comumente aceita no Brasil, enquanto a fidelidade à instituição é sempre primordial na Europa, no Islã, na Ásia oriental. O Brasil está imunizado a guerras religiosas justamente pelo fato de que a religião aqui é algo pouco valorizada, pouco significativa, em face da religiosidade mais universal e mais profunda que se manifesta nesta população.Herculano afirma ainda, que a etiologia da decadência das religiões torna-se palpável, mas o sentimento religioso do Homem não foi aniquilado.

 Hoje muitos dizem que o caminho é a Educação,mas devemos lembrar também que a Educação “leiga” do ensino Laico, frustrou a possibilidade de reelaboração da experiência religiosa pelas novas gerações e determinou a sedimentação interesseira da sua posição de ambivalência no mundo contemporâneo. Como não podia deixar de acontecer, essa posição ambígua, indefinida e contraditória em si mesma, levou a proporções catastróficas a crise das religiões em nossos dias. (palavras de Herculano no livro: Agonia das Religiões- pg. 17).

Kardec bem sabia disso e aborda o tema Educação por diversas vezes em suas obras, colocando-a como fundamental. Encontramos uma Biografia de Kardec, escrita por Zeus Wantuil, no volume II, que mostra claramente o trabalho árduo que Rivail enfrentou em seus 30 anos dedicados à Educação, para romper com a interferência religiosa no campo do conhecimento, os homens se afastaram do sentimento de religiosidade, formando a sociedade sem moral que temos hoje.

Nos trabalhos realizados por Jean Jaques Rousseau " em Emílio" um ensaio pedagógico em forma de romance, vemos a preocupação de tirar o peso da religião Dogmática da Educação, mas sem deixar de trabalhar o sentimento de religiosidade (essência espiritual) da natureza Humana, e viver a Educação Natural, fundamental ao processo de educação e desenvolvimento de valores Humanos. Pestalozzi bebeu desse conhecimento e Rivail também. Precisamos rever nossos conceitos de educação urgente. Seria muito bom se os educadores de hoje tivessem acesso não somente à pedagogia e a didática dos grandes educadores, mas à essência dos seus estudos que levariam fatalmente ao amadurecimento da consciência humana para encaminhar o Homem às conseqüências do conhecimento espiritual, a sua efetiva transformação moral!

Damos o início a uma nova Civilização, a Civilização do 3º Milênio ou a Civilização do Espírito. É o período onde a teoria e a prática estará integrada, o anseio latente de transcendência será preenchido. Herculano diz que é necessário que ele viva em si todo o conhecimento, na consciência e na carne, pois é nessa (na carne) que a relação com o mundo se realiza. Na questão 625 LE, os espíritos deixam um modelo a ser seguido, Seus atos falam por Sí, ele é Jesus.

As Civilizações experimentaram períodos de Sombras e de Luz, e os seres que nela habitaram após percorrerem esse longo caminho, fatalmente encontrarão a “síntese do conhecimento, o caminho para o novo Céu e a nova Terra, lembrando do que disse Jesus:” Os mansos e Pacíficos, herdarão à Terra”, então ela não desaparecerá como acreditam alguns mais assustados diante de tantas versões escatológicas do final dos tempos. Chegará sim o fim da Ignorância para toda a Humanidade e a Era do Espírito virá com a força da Lei do Progresso e nos resta curvar-se à ela.

 “Dia virá, em que todos os pequenos sistemas, acanhados e envelhecidos, fundir-se-ão numa vasta síntese, abrangendo todos os reinos da idéia. Ciências, Filosofias, Religiões, divididas hoje, reunir-se-ão na luz e será então a vida, o esplendor do espírito, o reinado do Conhecimento. Nesse acordo magnífico, as Ciências fornecerão a precisão e o método na ordem dos fatos; às Filosofias, o rigor das suas deduções lógicas; a Poesia, a irradiação das suas luzes e a magia das suas cores; a Religião juntar-lhes-á as qualidades do sentimento e a noção da estética elevada. Assim, realizar-se-á a beleza da força e na unidade do pensamento.
A alma orientar-se-á para os mais altos cimos,mantendo ao mesmo tempo o equilíbrio da relação necessário para regular a marcha paralela e ritmada da inteligência e da consciência na sua ascensão para a conquista do Bem e da Verdade.” – ( “O problema do Ser, do Destino e da Dor” - Leon Denis).

 Que esse período seja muito bem vindo!
Depende de nós contribuir verdadeiramente com a sua chegada. E a lição máxima deixada há mais de 2.000 anos ainda é o caminho para esse período:
“Amai a Deus sobre todas as coisas e ao Próximo como a Sí mesmo”.

 Referências Bibliográficas
(1) KARDEC, Allan -“O Livro dos Espíritos”.
(2) PIRES, Herculano -“O Espírito e o Tempo”.
(3) PIRES, Herculano- “Agonia das Religiões”.
(4) DENIS, Leon - “O problema do Ser, do Destino e da Dor”.
(5) WANTUIL, Zeus – “Biografia de Allan Kardec” (vol.II).


Magali Bischoff (São Paulo/SP)
Magali Bischoff, nascida na cidade de Guarulhos e residente em São Paulo, colabora no Movimento Espírita desde 1992 . Atuou como voluntária na Biblioteca Espírita Humberto de Campos, na Área de Divulgação e no setor administrativo da Área Federativa, trabalho realizado junto as Casas Espíritas coligadas à Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP). Participou dos projetos de divulgação da FEAL, levando ao movimento espírita, todos os trabalhos realizados pela Fundação Espírita André Luiz. A Rede Boa Nova de Rádio, TV Mundo Maior, Editora e Distribuidora Mundo Maior, o site da Fundação e o Clube Amigos da Boa Nova, dessa forma, divulgando a mensagem espírita. Atualmente realiza palestras em Casas Espíritas, colabora no Curso de Aprendizes do Evangelho da Federação Espírita do Estado de São Paulo, escreve artigos para jornais, revistas e sites espíritas, participa também, de diversas listas espíritas do Brasil como divulgadora.
E-mail magalibischoff@gmail.com 
Blog http://cuidedoseumundo.blogspot.com