quinta-feira, 11 de junho de 2015
Espiritismo
Princípios do Espiritismo
1. Deus é eterno,
imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
2. Ele criou o
universo, que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e
imateriais.
3. Os seres materiais
constituem o mundo visível ou corporal, e os seres imateriais constituem o
mundo invisível ou espiritual, ou seja, o espírito-mundo, ou o mundo dos
espíritos.
4. O mundo espiritual
é a, primitivo, eterno mundo normal, pré-existente para, e sobreviver, tudo o
resto.
5. O mundo corporal é
apenas secundária; poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem
alterar a essência do mundo espiritual.
6. Espíritos revestem
temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição, pela morte,
restaura-los à liberdade.
7. Entre as diferentes
espécies de seres corporais, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação
dos Espíritos que atingiram um certo grau de desenvolvimento; é isso que
lhe dá uma superioridade moral e intelectual para todos os outros.
8. A alma é um
espírito encarnado, cujo corpo apenas o seu envelope.
9. Há no homem três
coisas: (1) O organismo, ou ser material, análogos aos animais e animado pelo
mesmo princípio vital; (2) A alma, ou ser imaterial, um Espírito encarnado
no corpo; (3) A ligação que une a alma eo corpo, princípio intermediário
entre a matéria eo espírito.
10. O homem tem, assim,
duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais tem os
instintos; por sua alma, ele participa da natureza dos espíritos.
11. O laço ou
perispírito, que une o corpo eo espírito, é uma espécie de semi envelope
material. A morte é a destruição do corpo material, que é a mais grosseira
do homem de dois envelopes; mas o espírito preserva seu outro envelope, o
perispírito, o que constitui para ele um corpo etéreo, invisível para nós em
seu estado normal, mas que ele pode render ocasionalmente visível e mesmo
tangível, como é o caso em aparições.
12. Um espírito,
portanto, não é um ser abstrato, indefinido, só para ser concebida pelo nosso
pensamento; é um real, sendo circunscrito, que, em certos casos, é
apreciável pelos sentidos da visão, audição e tato.
13. Os Espíritos
pertencem a diferentes classes e não são iguais entre si ou no poder, na
inteligência, no conhecimento, ou na moralidade. Os da primeira ordem são
diferenciadas das abaixo deles por sua pureza superior e conhecimento, sua
proximidade de Deus e seu amor à bondade; eles são "anjos" ou As
outras classes são cada vez mais distante dessa perfeição "espíritos
puros."; os das classes inferiores são inclinados a maior parte do
nosso paixões, ódio, inveja, ciúme, orgulho, etc .; eles se comprazem no
mal.Entre eles estão alguns que não são nem muito boa nem muito ruim, mas estão
provocando e problemático em vez de mal-intencionados são muitas vezes travesso
e irracional, e podem ser classificados como espíritos vertiginosos e loucas.
14. Espíritos não
pertencem perpetuamente à mesma ordem. Todos estão destinados a alcançar a
perfeição passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta
melhoria é efectuada por encarnação, que é imposta a alguns deles, como
expiação, e em outros como missão. Vida material é uma prova que eles têm
que passar por muitas vezes até que tenham atingido a perfeição
absoluta; é uma espécie de filtro, ou alambique, a partir do qual eles
emitem mais ou menos purificada após cada nova encarnação.
15. Ao deixar o corpo,
a alma volta a entrar no mundo dos espíritos de onde ele veio, e da qual ele
entrará em uma nova existência material, após um lapso de mais longo ou mais
curto de tempo, durante o qual seu estado é a de um errante ou errante
espírito.
16. Spirits ter que
passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós tivemos muitas
existências e que teremos ainda outras, mais ou menos perfeita, seja na Terra
ou em outros mundos.
17. A encarnação dos
Espíritos ocorre sempre na raça humana; seria um erro supor que a alma ou
espírito pudesse encarnar no corpo de um animal.
18. Sucessivas
existências corporais do Espírito são sempre progressivas e nunca
retrógrada; mas a rapidez do nosso progresso depende dos esforços que
fazemos para chegar à perfeição.
19. As qualidades da
alma são as do Espírito encarnado em nós; assim, um bom homem é a
encarnação de um espírito bom, e um homem mau é o de um espírito impuro.
20. A alma possuía sua
própria individualidade antes de sua encarnação; preserva que a
individualidade após a sua separação do corpo.
21. Em sua re-entrada
para o mundo espiritual, a alma reencontra lá todos aqueles a quem ele conheceu
em cima da terra, e todas as suas existências anteriores, eventualmente, voltar
à sua memória, com a recordação de todo o bem e de todo o mal que que tem feito
neles.
22. O Espírito
encarnado está sob a influência da matéria; o homem que supera essa
influência pela elevação e purificação de sua alma, levanta-se mais perto dos
Espíritos superiores, entre os quais ele um dia vai ser
classificados. Aquele que se permite ser governado por más paixões, e
coloca todo o seu prazer na satisfação dos apetites grosseiros, traz-se mais
perto dos espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
23. Espíritos encarnados
habitam os diferentes globos do universo.
24. Espíritos que não
estão encarnados ou errantes, não ocupam uma região determinada e
circunscrita; eles estão por toda parte, no espaço, e em torno de nós,
ver-nos, e misturar com a gente incessantemente; É toda uma população
invisível, em constante movimento e ocupado sobre nós, por todos os lados.
25. Espíritos exercem
uma ação incessante sobre o mundo moral, e até mesmo sobre o mundo
físico; eles agem tanto sobre a matéria e sobre o pensamento, e constituem
um dos poderes da natureza, a causa eficiente de muitas classes de fenômenos
sedutores para inexplicável ou mal interpretados, e de que só a teoria espírita
pode dar uma explicação racional.
26. Espíritos são
incessantemente em relação com os homens. Os bons espíritos tentam nos
levar para o caminho certo, sustentar-nos nas provas da vida e nos ajudam a
suportá-las com coragem e resignação; os maus-nos seduzir para o mal: é um
prazer para eles ver-nos cair, e nos tornar semelhantes a si mesmos.
27. As comunicações dos
Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivo. Suas comunicações
ocultas são feitas através da boa ou má influência que exercem sobre nós sem
ter consciência disso; é nosso dever de distinguir, pelo exercício do
nosso julgamento, entre os bons e os maus inspirações que são, assim, que se
exercem sobre nós. As comunicações ostensivas ocorrem por meio da escrita,
de fala ou de outras manifestações físicas, e, geralmente, por intermédio dos
médiuns que lhes servem de instrumento.
28. Espíritos se
manifestam espontaneamente ou em resposta a evocação. Todos os espíritos
podem ser evocados: aqueles que têm animado o mais obscuro dos mortais, bem
como os dos personagens mais ilustres, e qualquer que seja a época em que
viviam; os de nossos parentes, nossos amigos, ou nossos inimigos; e
nós podemos obter a partir deles, por escrito ou por comunicações verbais,
conselhos, informações no que diz respeito à sua situação de além-túmulo, seus
pensamentos em relação a nós, eo que quer revelações que estão autorizados a fazer
para nós.
29. Espíritos são
atraídos pela sua simpatia com a qualidade moral das partes por quem eles são
evocados. Os Espíritos superiores ter prazer em reuniões de carácter
grave, animados pelo amor de Deus eo desejo sincero de instrução e
aperfeiçoamento.
30. Sua presença afasta
os Espíritos inferiores que encontram, na, acesso gratuito contrário e
liberdade de ação entre as pessoas de disposição frívola, ou reunidos por mera
curiosidade, e onde quer maus instintos estão a ser atendidas com. Assim,
longe de obtenção de espíritos, sob tais circunstâncias, seja um bom conselho
ou informação útil, nada é para ser esperado a partir deles, mas
insignificante, mentiras, truques mal-humorado, ou Humbugging;pois muitas vezes
emprestado os nomes mais venerados, de modo a melhor a impor sobre aqueles com
quem eles estão em comunicação.
31. É fácil distinguir
entre bons e maus espíritos. A linguagem dos Espíritos superiores é
constantemente digna, nobre, caracterizada pela mais alta moralidade, livre de
qualquer traço de paixão terrena; seus conselhos respirar a mais pura
sabedoria, e sempre temos nossa melhoria eo bem da humanidade para o seu
objetivo. As comunicações dos Espíritos inferiores, ao contrário, são
cheios de discrepâncias, e sua linguagem é muitas vezes comum, e até mesmo
grosseira. Se eles às vezes dizem coisas que são boas e verdadeiras, eles
mais frequentemente fazer declarações falsas e absurdas, motivadas por
ignorância ou malícia. Eles jogam em cima da credulidade daqueles que os
interrogam, divertindo-se por lisonjeiro sua vaidade, e enganando-os com falsas
esperanças. Em uma palavra, comunicações instrutivas dignas desse nome só
podem ser obtidos em centros de caráter grave, cujos membros estão unidos, por
uma íntima comunhão de pensamento e desejo, na busca da verdade e da bondade.
32. O ensinamento moral
dos Espíritos superiores podem ser resumidas, como o de Cristo, na máxima
evangelho, 'Faça aos outros o que gostaria que os outros vos façam;' ou
seja, fazer o bem a todos, e errado ninguém. Este princípio de ação
envolve a humanidade com uma regra de conduta de aplicação universal, desde as
coisas mínimas para o maior.
33. Eles nos ensinam
que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da
natureza animal, prendendo-nos à matéria; que aquele que, nesta vida
inferior, destaca-se a partir de matéria através de desprezo de futilidades
mundanas, e através do amor ao próximo, traz-se de volta para a natureza
espiritual; que todos nós devemos fazer-nos útil, de acordo com os meios
que Deus colocou em nossas mãos para o nosso julgamento; que o forte eo poderoso
devem apoio e proteção para os fracos; e que aquele que abusa de força e
poder para oprimir seu semelhante viola a lei de Deus. Eles nos que, no
espírito-obra nada pode ser escondido ensinar, e que o hipócrita haverá
un-mascarado, e toda a sua maldade revelado; que a presença inevitável e
perpétua, daqueles com quem tenhamos errado na vida terrena é um dos castigos
que nos esperam no mundo espiritual; e que o estado inferior ou superior
dos espíritos dá origem nesse outro vida a sofrimentos ou prazeres desconhecidos
para nós sobre a terra.
34. "Mas eles
também nos ensinam que não há pecados imperdoáveis, nenhum que não pode ser
erradicada pela reparação. O homem
encontra o meio de realizar isso nas diferentes existências que lhe permitam
avançar progressivamente, e de acordo com seu desejo e seus esforços, no
sentido da perfeição que constitui o seu objectivo final. Tal é a
soma da doutrina espírita, como contida nos ensinamentos dados por espíritos de
alto grau. Vamos agora considerar as objeções que são levantadas contra
ele.
sábado, 23 de maio de 2015
Reflexão
O que estou fazendo na Terra?
Acesse o conteúdo completo em: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=2978&onde=1
Acesse o conteúdo completo em: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=2978&onde=1
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Mensagem de Bezerra de Menezes
A Profunda Mensagem de Bezerra de Menezes
Meus filhos:
Que Jesus nos abençoe.
A sociedade terrena vive, na atualidade, um grave momento mediúnico no
qual, de forma inconsciente, dá-se o intercâmbio entre as duas esferas da vida.
Entidades assinaladas pelo ódio, pelo ressentimento, e tomadas de amargura
cobram daqueles algozes de ontem o pesado ônus da aflição que lhes tenham
proporcionado.
Espíritos nobres, voltados ao ideal de elevação humana sincronizam com
as potências espirituais na edificação de um mundo melhor. As obsessões
campeiam de forma pandêmica, confundindo-se com os transtornos psicopatológicos
que trazem os processos afligentes e degenerativos.
Sucede que a Terra vivencia, neste período, a grande transição de mundo
de provas e de expiações para mundo de regeneração.
Nunca houve tanta conquista da ciência e da tecnologia, e tanta
hediondez do sentimento e das emoções. As glórias das conquistas do intelecto
esmaecem diante do abismo da crueldade, da dissolução dos costumes, da perda da
ética e da decadência das conquistas da civilização e da cultura...
Não seja, pois, de estranhar, que a dor, sob vários aspectos, espraia-se
no planeta terrestre não apenas como látego mas, sobretudo, como convite à
reflexão, como análise à transitoriedade do corpo, com o propósito de convocar
as mentes e os corações para o ser espiritual que todos somos.
Fala-se sobre a tragédia do cotidiano com razão. As ameaças de natureza
sísmica, a cada momento tornam-se realidade tanto de um lado como de outro do
planeta. O crime campeia à solta e a floração da juventude entrega-se, com
exceções compreensíveis, ao abastardamento do caráter, às licenças morais e à
agressividade.
Sucede, meus filhos, que as regiões de sofrimento profundo estão
liberando seus hóspedes que ali ficaram, em cárcere privado, por muitos séculos
e agora, na grande transição, recebem a oportunidade de voltarem-se para o bem
ou de optar pela loucura a que se têm entregado. E esses, que teimosamente
permanecem no mal, a benefício próprio e do planeta, irão ao exílio em orbes
inferiores onde lapidarão a alma auxiliando os seus irmãos de natureza
primitiva, como nos aconteceu no passado.
Por outro lado, os nobres promotores do progresso de todos os tempos
passados também se reencarnam nesta hora para acelerar as conquistas, não só da
inteligência e da tecnologia de ponta, mas também dos valores morais e
espirituais. Ao lado deles, benfeitores de outra dimensão emboscam-se na
matéria para se tornarem os grandes líderes e sensibilizarem esses verdugos da
sociedade.
Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as
consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles,
psicoterapeutas de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. Enquanto os
médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm
as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições
contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui
todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve
a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.
Reencarnastes para contribuir em favor da Nova Era. As vossas
existências não aconteceram ao acaso, foram programadas. Antes de mergulhardes
na neblina carnal, lestes o programa que vos dizia respeito e o firmastes,
dando o assentimento para as provas e as glórias estelares.
O Espiritismo é Jesus que volta de braços abertos, descrucificado,
ressurreto e vivo, cantando a sinfonia gloriosa da solidariedade.
Dai-vos as mãos! Que as diferenças opinativas sejam limadas e os ideais
de concordância sejam praticados. Que, quaisquer pontos de objeção tornem-se
secundários diante das metas a alcançar.
Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e
compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes,
dificulta a lógica necessária para a ação correta. Mas ficai atentos: tendes
compromissos com Jesus...
Não é a primeira vez que vos comprometestes enganando, enganando-vos.
Mas esta é a oportunidade final, optativa para a glória da imortalidade ou para
a anestesia da ilusão. Ser espírita é encontrar o tesouro da sabedoria.
Reconhecemos que na luta cotidiana, na disputa social e econômica,
financeira e humana do ganha-pão, esvai-se o entusiasmo, diminui a alegria do
serviço, mas se permanecerdes fiéis, orando com as antenas direcionadas ao Pai
Todo-Amor, não vos faltarão a inspiração, o apoio, as forças morais para vos
defenderdes das agressões do mal que muitas vezes vos alcança.
Tende coragem, meus filhos, unidos, porque somos os trabalhadores da
última hora, e o nosso será o salário igual ao do jornaleiro do primeiro
momento.
Cantemos a alegria de servir e, ao sairmos daqui, levemos impresso no
relicário da alma tudo aquilo que ocorreu em nossa reunião de santas intenções:
as dores mais variadas, os rebeldes, os ignorantes, os aflitos, os infelizes, e
também a palavra gentil dos amigos que velam por todos nós.
Confiando em nosso Senhor Jesus Cristo, que nos delegou a honra de falar
em Seu nome, e em Seu nome ensinar, curar, levantar o ânimo e construir um
mundo novo, rogamos a Ele, nosso Divino Benfeitor, que a todos nos abençoe e
nos dê a Sua paz.
São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,
terça-feira, 28 de abril de 2015
Comandar sem desmandos?
Autoridade (Mandar ou Comanadar?)
O que é a autoridade? Existe diferença entre ela e o autoritarismo? Qual
foi a lição de Jesus sobre o assunto? A autoridade verdadeiramente nos
pertence? Será cobrado de nós, um dia, o uso que fazemos do nosso poder perante
os demais?
Uma das definições de autoridade
é: “Direito ou poder de mandar”. [1]
Todo agrupamento social – uma
nação, cidade, empresa, um grupo familiar, a própria Casa Espírita... –
necessita de um líder que exerça o poder com a finalidade de organizá-lo,
dirigi-lo e mantê-lo.
Porém, não é tão raro que o
direito de mandar fascine aquele que o possui, distorcendo sua capacidade de
pensar e agir, porque esse deslumbre faz com que o “poderoso”, intimamente, se
coloque num pedestal e olhe, de cima para baixo, todos aqueles que dele
dependem.
Analisando, historicamente, o uso da autoridade, por muito tempo
prevaleceu na sociedade humana - salvo algumas exceções atuais - o exercício do
poder contra a igualdade e a justiça, para a subordinação de indivíduos e
povos. Ocorreram, então, os mais variados desmandos através da tirania e da
opressão. E isso porque as diretrizes
sociais eram determinadas pelo indivíduo ou pelo povo mais forte, que
estabelecia as regras em função dos próprios interesses. Aos menos fortes, não
restava outra alternativa senão obedecer. O que vigorava, portanto, era a
autoridade caracterizada pelo comando absoluto e a obediência irrestrita. Quem
liderava não prestava contas senão aos seus superiores, se os tivesse, e sempre
tinha a razão perante os seus inferiores. Era o autoritarismo, o despotismo ou
o absolutismo.
O inconveniente, porém, é que, ainda hoje, prevalece esse tipo de
comportamento em certas criaturas. Em seu desequilíbrio e “sede” de poder,
impõem ordens e regras que, obedecidas passivamente, lhes trazem um enorme
prazer e satisfação. Mas, em virtude do medo de perderem o respeito, acreditam
que precisam ser temidas. E, para sustentarem o seu status de “poderosa”,
costumam adotar uma postura fria, rígida, arrogante, altiva, ameaçadora,
intransigente, intimidativa, enfim, de total desrespeito à pessoa do outro.
Compreensível se torna, assim, a
diferença entre a autoridade e o autoritarismo. A autoridade é a liderança
necessária, na qual se exerce o poder com o objetivo de gerenciar – organizar,
conduzir – o desenvolvimento e a harmonia do grupo. O autoritarismo se
caracteriza pela tirania e opressão, em que se pratica o comando com fins
egoísticos.
****
Na questão 684 de O LIVRO DOS
ESPÍRITOS, Allan Kardec pergunta: “Que se deve pensar dos que abusam de sua
autoridade, impondo a seus inferiores excessivo trabalho (afazeres, tarefas e
exigências)?”
Resposta: “Isso é uma das piores
ações. Todo aquele que tem o poder de mandar é responsável pelo excesso de
trabalho que imponha a seus inferiores, porquanto, assim fazendo, transgride a
lei de Deus.” [2]
E essa subordinação da autoridade
terrestre perante uma autoridade maior encontra-se enfaticamente ilustrada por
uma passagem da vida do Cristo (Jo 19:10-11).
Diante de seu julgamento, Pilatos
diz a Jesus: "Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade
para crucificar?". E o Cristo lhe responde: "Nenhuma autoridade
teríeis sobre mim, se de cima não te fosse dada.” [3]
O próprio conceito de autoridade
diverge nos dois casos. Para Pilatos e para o mundo, a autoridade é o Estado, o
Chefe, o grupo que detém a força, faz as leis e impõe a ordem social. Mas, para
Jesus, esta é uma autoridade secundária, porque a que comanda realmente é a
autoridade da Lei de Deus, à qual todos estão igualmente sujeitos e que se
serve da autoridade humana como um instrumento. Ou seja, a verdadeira
autoridade não pertence aos indivíduos.
Elucida o Espírito Emmanuel: “É
justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos
provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida,
não nos pertencem.” [4]
A autoridade de Pilatos realmente
era grande. O destino dos homens, da região sob sua jurisdição, estava de fato
em suas mãos. Ele tinha pleno poder não apenas para governar a Judéia, mas para
atuar como um grande pretor, ou seja, um juiz que julgava os homens segundo o
direito romano. Para pequenas causas, designava outros pretores, mas as grandes
eram julgadas por ele mesmo. No caso em questão, esperava intimidar o condenado
com sua autoridade. Porém, Jesus o chocou, afirmando que esta não vinha de
Roma, mas do Alto. O Cristo até reconheceu a autoridade terrena de Pilatos, mas
não deixou de ressaltar que existe um poder no universo do qual emanam todos os
outros poderes.
Sendo assim, podemos afirmar que, através de Jesus, Deus estava
ensinando aos homens que o poder mundano vale bem pouco diante de Suas
determinações, e que o mais simples e humilde dos homens pode ser aquele de que
Ele se utiliza como Seu mensageiro.
Portanto, perante as leis de
Deus, o poder terrestre, seja ele exercido na área que for, é temporariamente
permitido. E o que é permitido, um dia, será cobrado. É este o ensinamento que
nos traz o EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO:
A autoridade, da mesma forma que a fortuna, é uma delegação da qual
serão pedidas contas àquele que dela se acha investido; não creiais que lhe ela
lhe seja ela dada para lhe proporcionar o vão prazer de comandar; nem, assim
como o creem falsamente a maioria dos poderosos da Terra, como um direito, uma
propriedade. Deus, entretanto, lhes prova suficientemente que não é nem uma nem
outra coisa, uma vez que lhas retira quando isso lhe apraz. Se fosse um
privilégio ligado à sua pessoa, ela seria inalienável. Ninguém pode, pois,
dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem seu
consentimento. Deus dá a autoridade a título de missão ou de prova quando isso
lhe convém, e a retira da mesma forma.
Todo aquele que é depositário da
autoridade, de qualquer extensão que ela seja, desde o senhor sobre seu servo
até o soberano sobre seu povo, não deve se dissimular que tem encargo de almas;
ele responderá pela boa ou má direção que tiver dados aos seus subordinados, e
as faltas que estes poderão cometer, os vícios a que serão arrastados, em
consequência dessa direção ou de maus exemplos recairão sobre ele, enquanto que
recolherá os frutos da sua solicitude para conduzi-los ao bem. .
(...) Ele (Deus) perguntará àquele que possui uma autoridade qualquer:
Que uso fizeste dessa autoridade? Que mal detiveste? Que progresso fizeste? Se
eu te dei subordinados não foi para fazer deles escravos da tua vontade, nem os
instrumentos dóceis de teus caprichos e de tua cupidez; eu te fiz forte e
confiei-te, e te confiei os fracos para os sustentar e os ajudar a subir até
mim.
O superior, que está compenetrado
das palavras do Cristo, não despreza a nenhum daqueles que estão abaixo de si,
porque sabe que as distinções sociais nada instituem diante de Deus. [5]
****
No entanto, existem muitos tipos
de poder: o físico, o político, o financeiro, o intelectual, o pessoal, o
espiritual, o moral...
Embora algumas pessoas o busquem em muitas de suas formas e expressões,
Jesus só estava interessado naquele que não se impõe pelas circunstâncias ou à
força, mas conquista-se. Esse é o verdadeiro poder, porque perdura.
E o Cristo possuía um poder
pessoal bastante intenso, porque influenciava as pessoas pela sua autoridade
moral – porque fundamentada no exemplo – e pela sabedoria de que era portador.
Detinha a capacidade única de transmitir confiança, sem ser confundido com um
homem arrogante com necessidade de exercer controle sobre os demais.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO nos traz mais essas considerações
sobre aquele que usa de sua autoridade para contribuir com o desenvolvimento
alheio:
Se a ordem social colocou homens
sob a sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus
iguais perante Deus; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para
os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar a sua posição
subalterna mais penosa. [6]
Esse é o uso da autoridade de forma produtiva, eficiente e respeitosa,
porque firmeza, disciplina e ordem não são sinônimos de ditadura. A pessoa que
comanda – ou manda –, necessita construir a sua autoridade e poder de forma a
se tornar, pelo seu modo de ser e de agir, uma positiva referência aos demais.
Ou, segundo as palavras do próprio O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO: “O homem
não procura se elevar acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se.”
[7]
É fácil de testar se estamos na presença de uma pessoa com verdadeiro
poder pessoal. Diante dela não nos sentimos diminuídos ou intimidados, mas à
vontade para nos mostrarmos quem realmente somos, no que acreditamos, que
sentimentos alimentamos, na certeza de que não seremos criticados ou
menosprezados em seu julgamento. Era isso o ocorria com Jesus! Ele não
precisava que os outros se diminuíssem em sua presença; pelo contrário, eram as
pessoas que se sentiam agraciadas e agradecidas em seu contato com ele.
Com a Doutrina Espírita, podemos
aprender que, perante a eternidade, a única força que tem real valor é a
autoridade moral do Espírito, caracterizada pelo equilíbrio e elevação
conscienciais.
Silvia Helena Visnadi Pessenda
sivipessenda@uol.com.br
REFERENCIAS:
[1] MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo:
Companhia Melhoramentos, 1998.
[2] KARDEC, Allan. O livro dos
espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed.
Araras, SP: IDE, 1996.
[3] BÍBLIA. Português. Bíblia de
estudo Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
[4] EMMANUEL (espírito); XAVIER,
Francisco Cândido (psicografado por). Fonte viva. 12. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita
Brasileira. Cap. 60.
[5] KARDEC, Allan. O evangelho
segundo o espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa.
195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. XVII. Item 9.
[6] Idem. Item 3.
[7] Idem. Capítulo III. Item 10.
NAZARETH, Joamar Zanolini. Um
desafio chamado família. 1. ed. Araguari, MG: Minas Editora, 1999.
CURY, Augusto Jorge. O mestre da vida: análise da inteligência de
Cristo. 30. ed. São Paulo: Academia de Inteligência, 2001.
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