Espiritismo,
Doutrina espírita,
Kardecismo[nota 1] ou
Espiritismo kardecista[3][4][5][6][7][8] é uma
doutrina religiosa e
filosófica mediúnica ou
moderno espiritualista. Foi criada (segundo seus adeptos, "codificada") pelo
pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, usando o pseudônimo
Allan Kardec.
[9][10][11][12][13][14] Depois de observar e analisar as
mesas girantes, a
incorporação e outros "
fenômenos mediunicos", os quais ele afirmava serem causados por inteligências incorpóreas ou imateriais, os
espíritos,
[15] Kardec definiu o espiritismo como "
a doutrina fundada sobre a existência, as manifestações e o ensino dos espíritos".
[12] Segundo ele,
[16][17] o espiritismo aliaria
ciência,
filosofia e
religião,
buscando uma melhor compreensão não apenas do universo tangível
(científico), mas também do universo a esse transcendente (religião).
[9][10][18][19][20] O termo
Spiritisme foi criado por Kardec em 1857
[4][21][22][23] para definir o corpo de ideias reunidas em seu "O Livro dos Espíritos"
[24][25] e destacar as diferenças do espiritismo para o
espiritualismo.
[13]
A doutrina espírita é baseada em cinco "obras básicas", chamadas de
Codificação Espírita, publicada por Kardec entre 1857 e 1868. A codificação é composta por
O Livro dos Espíritos,
O Livro dos Médiuns,
O Evangelho segundo o Espiritismo,
O Céu e o Inferno e
A Gênese.[26] Somam-se ainda as chamadas obras "complementares", como
O Que é o Espiritismo?,
Revista Espírita e
Obras Póstumas.[27]
Mesmo não sendo reconhecido como ciência,
[15] seus adeptos consideram-no uma doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o
aperfeiçoamento moral do homem e acreditam na possibilidade de comunicação com os espíritos através de
médiuns.
[28][29]
O espiritismo também é conhecido por influenciar e promover um
movimento social de instituições de caridade e saúde, que envolve
milhões de pessoas em dezenas de países.
[23][30][31]
Apesar de ser uma religião completa e autônoma apenas no Brasil,
[13][31][32]
o espiritismo tem se expandido e, segundo dados do ano 2005, conta com
cerca de 15 milhões de adeptos espalhados entre diversos países,
[33] como
Portugal,
Espanha,
França,
Reino Unido,
Bélgica[34] Estados Unidos,
Japão,
Alemanha,
Argentina,
Canadá,
[35] e, principalmente,
Cuba,
Jamaica e
Brasil, sendo que este último tem a maior quantidade de adeptos no mundo.
[6][36]
No entanto, vale frisar que é difícil estipular a quantidade existente
de espíritas, pois as principais estipulações sobre isso são baseadas em
censos demográficos em que se é perguntado qual a religião dos cidadãos, porém nem todos os espíritas interpretam o Espiritismo como religião.
[37][38]
Índice
Etimologia e usoEditar
O termo
espiritismo (do
francês antigo "
spiritisme", onde "
spirit": espírito + "
isme": doutrina) surgiu como um
neologismo, mais precisamente uma
palavra-valise, criada pelo pedagogo
francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (conhecido por Allan Kardec) para nomear especificamente o corpo de ideias por ele sistematizadas em "
O Livro dos Espíritos" (
1857)
[39].
| “ |
Para
se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a
clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de
sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos; espiritual, espiritualista,
espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los
à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia.[...] Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria,
é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos
Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em vez das
palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a
que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria.[40] |
” |
Contudo, a utilização do
termo, cuja raiz é comum a diversas nações ocidentais de origem latina
[41][42] ou
anglo-saxônica,
fez com que ele fosse rapidamente incorporado ao uso cotidiano para
designar tudo o que dizia respeito à alegada comunicação com os
espíritos. Assim, por
espiritismo, entendem-se hoje as várias
doutrinas religiosas e/ou filosóficas que crêem na sobrevivência dos
espíritos à morte dos corpos, e, principalmente, na possibilidade de se
comunicar com eles, casual ou deliberadamente, via evocações ou
espontaneamente
[43]. Essa
apropriação do termo cunhado por
Kardec, por parte de
adeptos de outras
tradições espiritualistas, é
criticada pelos
seguidores contemporâneos do
pedagogo francês, que o reivindicam para designar a sua
doutrina específica
[44][45].
O
termo "
kardecista" é repudiado por parte dos adeptos da doutrina que reservam a palavra
"espiritismo" apenas para a doutrina tal qual codificada por Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do
espiritismo, e denominam correntes diversas de "
espiritualistas"
[46]. Estes adeptos entendem que o
espiritismo, como corpo doutrinário, é um só, o que tornaria
redundante o uso do termo "espiritismo kardecista". Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas
obras básicas (ainda que com uma tolerância maior ou menor a conceitos que não são estritamente doutrinários, como a
apometria), denominam-se simplesmente "espíritas", sem o complemento "kardecista".
[46]
A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como
"kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua
essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o
cristianismo ou o budismo, mas a uma coletividade de espíritos que eles
acreditam que se manifestaram através de diversos médiuns naquele
momento histórico, e que se esperava que continuassem a comunicar,
fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em
constante processo evolutivo. Outra parcela dos adeptos, no entanto,
considera o uso do termo "kardecismo" apropriado.
[47] O uso deste termo é corroborado por fontes lexicográficas como o
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa[48], o
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa[49], o
Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa[50] e o
Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa.
[51]
As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o
"espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos cultos
afro-brasileiros, como a
Umbanda.
Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da
história recente do Brasil, passaram a se autointitular espíritas (em
determinado momento com o apoio da
Federação Espírita Brasileira[52]),
num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à
proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas
doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram
de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo
assim o termo "espírita kardecista" para distingui-los dos que passaram a
ser denominados como "espíritas umbandistas".
[carece de fontes]
Primeiras observaçõesEditar
Segundo seguidores e simpatizantes da Doutrina Espírita, os fenômenos
mediúnicos seriam universais e teriam sempre existido, inclusive com
fartos relatos na
Bíblia[nota 2]. Entre outros, os espíritas citam como exemplos mediúnicos bíblicos a proibição de
Moisés
à prática da "consulta aos mortos", que seria uma evidência da crença
judaica nessa possibilidade, já que não se interdita algo irrealizável
[54]; a consulta de
Saul, primeiro rei do antigo
Reino de Israel, à
Bruxa de Endor, em
I Samuel 28:1-25, que vê e ouve o Espírito desencarnado de
Samuel, o último dos
juízes de Israel e o primeiro dos
profetas registrados na história do seu povo; a comunicação de
Jesus com
Moisés e
Elias no
Monte Tabor na
Transfiguração de Jesus (
Mateus 17:1-9)
[55][56].
Na
filosofia antiga também há exemplos: nos
Diálogos de Platão, este fala sobre o
daimon ou gênio que acompanharia
Sócrates[57][58].
Muitos espíritas adotam a data de 31 de março de 1848 (início dos acontecimentos mediúnicos na residência das
Irmãs Fox em
Hydesville,
EUA)
como o marco inicial das modernas manifestações mediúnicas,
alegadamente mais ostensivas e frequentes do que jamais ocorrera, o que
levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos.
[59] No entanto, para
Sir Arthur Conan Doyle e vários outros espíritas, o marco inicial das modernas manifestações mediúnicas foi na verdade
Emanuel Swedenborg,
polímata
sueco do século XVII. Segundo Conan Doyle, a espiritualidade de
Swedenborg marcou o início da era em que fenômeno mediúnico deixou de
ter caráter esporádico, para transformar-se numa espécie de "invasão
espiritual organizada" na Terra.
[60]
Durante o
século XIX houve uma grande onda de
manifestações mediúnicas nos
Estados Unidos[61][62] e na
Europa[63]. Estas
manifestações consistiam principalmente de
ruídos estranhos, pancadas em
móveis e
objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma
causa aparente. No final dos anos
1840 destacou-se o suposto
caso das
Irmãs Fox, nos
EUA[64][65].
Em 1855, o professor Denizard Rivail, que depois adotou o pseudônimo
de Allan Kardec, pretendia investigar o fenômeno que muitas pessoas
afirmavam ter experimentado na época, das
mesas girantes
ou dança das mesas, em que mesas e objetos em geral pareciam animar-se
com uma estranha vitalidade. Apesar de iniciais afirmações bastante
duvidosas em relação ao fenômeno "
Eu crerei quando vir e quando
conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que
pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, deem-me a permissão de não
enxergar nisso mais que um conto para dormir em pé",
[66]
assegura-se que após dois anos de pesquisas, não tinha constatado um
motivo para englobar todos os acontecimentos dessa ordem no âmbito das
falácias e/ou charlatanices. Pessoalmente convencido não só da realidade
do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das
mistificações existentes, mas também acreditando que eles eram realmente
causados por influência de espíritos, Rivail, passou a promover novos
métodos de estudo para a identificação deste e outros fenômenos do tipo
mas sagrou-se principalmente a divulgar suas concepções sobre
consequências ético-morais a eles relacionadas
[67].
| “ |
O
verdadeiro Espírita não é aquele que crê nas manifestações, mas aquele
que aproveita o ensinamento dado pelos Espíritos. De nada serve crer, se
a crença não o faz dar um passo à frente no caminho do progresso, e não
o torna melhor para o seu próximo |
” |
Quanto à sua formação, foi discípulo de
Pestalozzi (discípulo por sua vez de
Rousseau) e membro de diversas sociedades acadêmicas.
[23][66][69]
O seu principal intuito como espírita era dar algum suporte à
espiritualidade humana numa época em que a ciência avançava a passos
largos e as religiões perdiam cada vez mais adeptos. Kardec julgava ter
encontrado um novo modo de pensar o real, que uniria, de forma
ponderada, a ascendente ciência e a decadente religião. Analisou relatos
de inúmeras ocorrências mediúnicas espalhadas pela Europa e Estados
Unidos, unificando as informações que interpretou a fim de codificar
esse tipo de prática e os ensinamentos transmitidos.
[64] Assim, Kardec defendia que fazia uso do
empirismo científico para investigar os fenômenos, da racionalidade filosófica para dialogar com o que presumiu serem
espíritos e analisar suas proposições, e buscou extrair desses diálogos consequências
ético-
morais
úteis para o ser humano. Surgia aí, mais precisamente em 18 de abril de
1857, a doutrina espírita, sistematizada na primeira edição de
O Livro dos Espíritos[67].
Nos
Estados Unidos, desde os primórdios de seu aparecimento, o Espiritismo tem sido mais comumente denominado "
Moderno Espiritualismo",
em face da introdução de um caráter científico-filosófico-religioso
novo nas ideias já existentes do espiritualismo. Nos países de língua
inglesa, assim como boa parte da Europa, o espiritismo ainda é
considerado, primordialmente, uma ciência de observação dos fenômenos
espiritualistas (uma espécie de "espiritualismo científico ou
experimental") e, muito menos, como uma
religião.
[70]
O Espiritualismo norte-americano e inglês evoluiu de forma bem
diferente do que é conhecido como Espiritismo ou Doutrina Espírita,
conforme codificado por Allan Kardec.
[71]
As mesas girantesEditar
Segundo seus biógrafos, Allan Kardec foi convidado por Fortier, um amigo estudioso das teorias de
Franz Anton Mesmer, a verificar, observar e analisar o fenômeno chamado de
mesas girantes, um tipo de
sessão espírita popular no
século XIX.
[72][73][74]
As primeiras manifestações de mesas girantes observadas por ele
aconteceram por meio de mesas se levantando e batendo, com um dos pés,
um número determinado de pancadas e respondendo, desse modo,
sim ou
não, segundo fora convencionado, a uma questão proposta.
[24][72][75][76]
Apesar da crença que supostos
espíritos ou
gênios movimentavam as mesas,
experimentos científicos de
Michael Faraday publicados em 1853 mostraram que os movimentos eram causados pelo
efeito ideomotor e descartaram as explicações
paranormais para o fenômeno das mesas girantes.
[77] O efeito ideomotor também causa os movimentos observados no chamado
tabuleiro ouija e na "brincadeira do copo",
[78]
nos quais os participantes movimentam marcadores involuntariamente
sobre letras e números e também atribuem os movimentos a supostos
espíritos ou
gênios.
[79]
Kardec, analisando esses fenômenos, concluiu que não havia nada de
convincente neste método para os céticos, porque se podia acreditar num
efeito da eletricidade, cujas propriedades eram pouco conhecidas pela
ciência de então. Foram então utilizados métodos para se obter respostas
mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: a mesa batendo um
número de vezes corresponderia ao número de ordem de cada letra,
chegando, assim, a formular palavras e frases respondendo às perguntas
propostas.
[80] Kardec concluiu que a precisão das respostas e sua correlação com a pergunta não poderiam ser atribuídas ao acaso.
[57] O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um
espírito ou
gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito.
Posteriormente o fenômeno diminuiu de popularidade e chegou a tornar-se
anedótico.
[81][82]
Por volta da mesma época
Victor Hugo e
Gerard de Nerval[83] tornam-se crentes nas mesas girantes. Victor Hugo, durante seu exílio na
ilha de Jersey
(1851-1855) participou de inúmeras sessões de mesas girantes com seu
amigo Auguste Vacquerie e passou a acreditar que havia entrado em
contato com espíritos de falecidos, inclusive sua filha Léopoldine
(morta por afogamento) e grandes escritores como
Shakespeare,
Dante,
Racine e
Molière.
[84][85][86][87]
Diante de experiências com as mesas, Victor Hugo se converteu ao
espiritismo e, em 1867, clamou que a ciência deveria dar atenção e
seriedade para os fenômenos das mesas: "
A mesa girante ou falante foi
bastante ridicularizada. Falemos claro. Esta zombaria é injustificável.
Substituir o exame pelo menosprezo é cômodo, mas pouco científico.
Acreditamos que o dever elementar da Ciência é verificar todos os
fenômenos, pois a Ciência, se os ignora, não tem o direito de rir deles.
Um sábio que ri do possível está bem perto de ser um idiota. Sejamos
reverentes diante do possível, cujo limite ninguém conhece, fiquemos
atentos e sérios na presença do extra-humano, de onde viemos e para onde
caminhamos".
[87][88][89][90].
[57][91][92][93][94]
Continuadores da Doutrina EspíritaEditar
O médium e filantropo brasileiro
Chico Xavier, considerado fortemente no Espiritismo como um grande exemplo de bondade e humildade.
[95]
São continuadores da doutrina e de fundamental importância para sua expansão:
Arthur Conan Doyle,
[96] Albert de Rochas,
Alexandre Aksakof,
Amalia Domingo Soler,
Bezerra de Menezes,
Camille Flammarion,
Cairbar Schutel,
Cesare Lombroso,
Chico Xavier,
Deolindo Amorim,
Divaldo Franco,
Ernesto Bozzano,
Eurípedes Barsanulfo,
Gabriel Delanne,
Gustave Geley,
Herculano Pires,
Hernani G. Andrade,
Hermínio C. Miranda,
Léon Denis,
Oliver Lodge,
Raul Teixeira,
Paul Gibier,
Vera Kryzhanovskaia,
Waldo Vieira (até 1965),
[97] William Crookes,
[98][99][100][101] Yvonne Pereira,
Zilda Gama, entre outros.
[57][95]
Psiquiatra e
parapsicólogo espírita
[nota 3] brasileiro da
Universidade Federal de Juiz de Fora,
Alexander Moreira-Almeida faz ampla divulgação de suas pesquisas, com resultados que suportam
dogmas da doutrina espírita como a mediunidade.
[103][104][105][106][107] Ele analisou a veracidade de cartas psicografadas por Chico Xavier.
[108][109][110][111]
Nascido no
século XIX, no dia 18 de Abril de 1857, com a publicação de
O Livro dos Espíritos,
o Espiritismo se estruturou a partir de pretensos diálogos
estabelecidos com espíritos desencarnados que, se manifestando por meio
de médiuns, discorreram sobre temas científicos, religiosos e
filosóficos sob a ótica da moral cristã, ou seja, tendo por princípio o
amor ao próximo, trazendo à luz novas perspectivas sobre diversos temas
de grande relevância filosófica e teológica
[24][72]. Desta forma foi estabelecido um dos preceitos básicos do espiritismo que é a importância da caridade, (Lema:
Fora da caridade não há salvação)
[112] entendida como sendo a benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e perdão das ofensas
[113].
"
Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em
francês no túmulo de Kardec.
O Espiritismo pretende chegar à compreensão da realidade mediante a integração entre as três formas clássicas de
conhecimento[114][115],
que seriam a ciência, a filosofia e a religião. A doutrina espírita se
propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre as três, visando à
obtenção de uma forma original que, a um só tempo, fosse mais abrangente
e mais profunda, para desta forma melhor compreender a realidade.
[18][116] Kardec sintetiza o conceito com a célebre frase: “
Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade”
[117].
Segundo o filósofo espírita
Herculano Pires, "
Filosofia
Espírita, como disse Kardec, pertence genericamente ao que costumamos
chamar Filosofia Espiritualista, porque a sua visão do Universo não se
prende à Matéria, mas vai até o Espírito, que considera como causa de
tudo o que percebemos no plano material. Englobando na sua interpretação
cosmológica a Ciência Espírita, e tendo como conseqüência a Religião
Espírita, a Filosofia Espírita encerra em si mesma toda a doutrina."
[68][116]
É importante ressaltar ainda que, quem quer que acredite haver em si
alguma coisa mais do que os elementos integrantes do universo natural -
matéria e
radiação
- acreditando assim em quaisquer entidades transcendentes ao universo
tangível é, por definição, espiritualista, independente de sua religião,
sendo, portanto, o
espiritualismo enquanto oposição ao
materialismo,
o pilar fundamental da maioria das doutrinas religiosas. No caso do
espiritismo, a principal diferença entre esta doutrina e a maioria das
demais religiões é sua crença na possibilidade de comunicação entre o
mundo corporal e o mundo espiritual, contudo, a fé nesta possibilidade
de comunicação gera grande confusão por parte dos leigos entre a
doutrina espírita e as religiões afro-brasileiras, contudo, cada uma
delas possui origens completamente distintas umas das outras
[24].
Allan Kardec, em "
Obras Póstumas", propõe que o espiritismo seja uma
doutrina natural,
passível de ser interpretada ou não como religião pelos homens, isto é,
capaz de colocar o homem – ou o espírito – diretamente em relação com
Deus
[118]
Fundamentos principaisEditar
Quadro retratando a Evolução espiritual, segundo a ótica da Doutrina Espírita.
A doutrina espírita, de modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos (princípios):
[24][119]
- Existência e unicidade de Deus, rejeitando o dogma da Santíssima Trindade
(Conforme está na primeira questão de "O Livro dos Espíritos" - "Deus é
a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Também é
algo e não alguém[120]);
- O universo é criação de Deus, incluindo todos os seres racionais (Jesus, por exemplo) e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais, que por sua vez, todos estão destinados a lei do progresso;
- Existência e imortalidade do espírito, compreendido como
individualidade inteligente da Criação Divina que está ligado ao corpo
físico através de um conectivo "semimaterial" denominado de perispírito;
- Volta do espírito à matéria (reencarnação),
tantas vezes quanto necessário, como o mecanismo natural para se
alcançar o aperfeiçoamento material e moral. No entanto, para a
doutrina, a perfeição que a Humanidade é suscetível atingir é relativa
pois apenas Deus possui a perfeição absoluta, infinita em todas as
coisas. Os espíritas rejeitam a crença na metempsicose[121];
- Conceito de "criação igualitária" de todos os espíritos, "simples e ignorantes" em sua origem, e destinados invariavelmente à perfeição, com aptidões idênticas para o bem ou para o mal, dado o livre-arbítrio[122];
- Possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados ("vivos") e os espíritos desencarnados ("mortos"), por meio da mediunidade
(também denominada comunicabilidade dos espíritos). Essa comunicação é
realizada com o auxílio de pessoas com determinadas capacidades - os médiuns como, por exemplo, na chamada "escrita automática" (psicografia).[123];
- Lei de causa e efeito,
compreendida como mecanismo de retribuição ética universal a todos os
espíritos, segundo a qual nossa condição atual é resultado de nossos
atos passados e nossos pensamentos, palavras e atos constroem
diariamente nosso futuro (Quem semeia o bem, colhe o bem. Quem semeia o mal, colhe o mal)[124];
- Pluralidade dos mundos habitados materiais e espirituais: a Terra
não é o único planeta com vida inteligente no universo, bem como os
planetas possuem mundos espirituais habitados (por exemplo, Umbral, colônias espirituais[125] e os planos espirituais superiores);
- Jesus, criado por Deus, é o guia e modelo para toda a humanidade.[126] Segundo o espiritismo, a moral cristã contida nos evangelhos canônicos
é o maior roteiro ético-moral de que o homem possui, e a sua prática é a
solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido
pela humanidade.[113]
- Fora da caridade não há salvação. Para o espiritismo[24] a caridade consiste em benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e perdão das ofensas[113].
Além disso, podem-se citar como características secundárias:
[127]
- A noção de continuidade da responsabilidade individual por toda a existência do espírito;
- Progressividade do princípio espiritual dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza;
- Ausência total de hierarquia sacerdotal;
- Abnegação na prática do bem, ou seja, não se deve cobrar pela
prática da caridade, nem o fazer visando a segundas intenções. Toda a
prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do
evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”;
- Uso de terminologia e conceitos próprios, como, por exemplo, perispírito, mediunidade, centro espírita[128];
- Total ausência de exorcismos, fórmulas, palavras sacramentais, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, amuletos, talismãs, culto ou oferenda a imagens ou altares, danças, procissões ou atos semelhantes, paramentos, andores, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso e fumo, práticas exteriores ou quaisquer sinais materiais[129];
- Ausência de rituais institucionalizados, a exemplo de batismo[130], culto ou cerimônia para oficializar casamento[131];
- Incentivo ao respeito para com todas as religiões e opiniões[132].
- Ter uma fé raciocinada, rejeitando a fé cega que não utiliza o raciocínio lógico em suas crenças[133].
Obras básicas e complementaresEditar
A seguir são apresentadas algumas das principais obras publicadas por Allan Kardec:
[134]
O Livro dos Espíritos[135], publicado em
1857, nele estão contidos os princípios fundamentais da Doutrina Espírita
O Livro dos Médiuns[136], ou "Guia dos
Médiuns e dos Evocadores", foi publicado em
1861
e versa sobre o caráter experimental e investigativo do espiritismo,
visto como ferramenta teórico-metodológica para se compreender uma "nova
ordem de fenômenos", até então jamais considerada pelo conhecimento
científico: os fenômenos ditos espíritas ou mediúnicos, que teriam como
causa a intervenção de espíritos na realidade física.
-
- O Evangelho Segundo o Espiritismo
O livro
O Evangelho Segundo o Espiritismo[137], publicado em
1864, avalia os
evangelhos canônicos
sob a óptica da doutrina espírita, tratando com atenção especial a
aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem
religiosa como a prática da adoração, da prece e da caridade.
O livro
O Céu e o Inferno[138],
ou "A Justiça Divina segundo o Espiritismo", foi publicado em 1865 e
compõe-se de duas partes: na primeira, Kardec realiza um exame crítico
da
doutrina católica sobre a
transcendência, procurando apontar contradições
filosóficas e incoerências com o
conhecimento científico superáveis, segundo ele, mediante o
paradigma
espírita da fé raciocinada. Na segunda, constam dezenas de diálogos que
teriam sido estabelecidos entre Kardec e diversos espíritos, nos quais
estes narram as impressões que trazem do
além-túmulo.
O livro
A Gênese[139],
ou "Milagres e as Predições segundo o Espiritismo", foi publicado em
1868 e aborda diversas questões de ordem filosófica e científica, como a
criação do universo, a formação dos mundos, o surgimento do espírito e a
natureza dos ditos milagres, segundo o
paradigma espírita de compreensão da realidade.
Além destas obras, outras são adicionadas como complementaresEditar
O livro
O Que é o Espiritismo?, publicado em
1859, é uma introdução didática sobre o espiritismo
[140].
O periódico
Revue Spirite(em português
Revista Espírita),
voltado exclusivamente a assuntos relacionados ao Espiritismo, foi
fundado por Kardec e dirigido por ele até a data de seu falecimento
(1869). Já teve a participação de várias personalidades expoentes da
doutrina e atualmente sua publicação é trimestral
[141].
O livro
Obras Póstumas,
publicado postumamente em janeiro de 1890, pelos dirigentes da
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, trata-se de uma compilação de
escritos inéditos do codificador da doutrina espírita, Allan Kardec,
com anotações sobre os bastidores da criação da doutrina e que auxiliam a
sua compreensão
[142].
Relação com a ciênciaEditar
Método Cientifico e "Ciência Espírita"Editar
A investigação científica dos fatos e causas dos pretensos fenômenos mediúnicos é objeto de intenso estudo, principalmente pela
pseudociência[143] da
parapsicologia.
[144][145][146]
Investigações científicas sobre mediunidade e outros "fenômenos
espirituais" defendidos pelo Espiritismo ocorreram/ocorrem inclusive em
âmbito universitário,
[147][148][149] mas apesar de muitos cientistas, inclusive renomados,
[60][150][151] já terem afirmado que evidenciaram a existência de fenômenos do tipo em suas pesquisas, através do
método científico a existência de espíritos não encontra-se estabelecida, tampouco provada.
[152][153]
Existe certamente uma diversidade de alegadas práticas que vêm
suscitando curiosidade dos pesquisadores de "fenômenos espirituais" em
geral - a exemplo a
psicografia,
desdobramento espiritual,
[154] experiência de quase morte,
Fenómeno da voz eletrónica,
retrocognição,
premonição,
incorporação,
psicofonia,
psicometria[155],
xenoglossia[156],
obsessão espiritual,
medicina espiritual,
clarividência,
clariaudiência,
poltergeist,
psicopictografia,
fotografia espírita[157], filmagem espírita,
ectoplasmia[158],
telepatia,
psicoquinesia,
levitação,
radiestesia, etc.
[159][160]
Frente a essa diversidade de fenômenos é que Kardec, no preâmbulo de "
O que é o Espiritismo", afirma que o espiritismo "
é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal", e é dentro dessa perspectiva é que define-se o que naquele momento se chamou de "ciência espírita"
[nota 4],
tendo esta por objeto central de estudo o espírito e por metodologia um
conjunto de princípios teórico-metodológicos próprios que, ao menos em
definição, far-se-iam sempre compatíveis com o estabelecido pela ciência
propriamente dita - via
método científico[nota 5].
É fazendo-o sempre com base nos princípios metodológico-teóricos
acima definidos, sempre esmerando-se em distinguir os acontecimentos que
considerava legítimos daqueles verossímeis de
charlatanismo e daqueles oriundos da simples imaginação superexcitada pela
fé, que Kardec analisou, na "
Revue Spirite"
(Revista espírita) - dirigida por ele até sua morte - vários dos
relatos de fenômenos aparentemente mediúnicos oriundos de diversas
partes do mundo
[114].
É diante do acima exposto que mostra-se importante frisar que o termo
"ciência", quando associado ao espiritismo, transcende a "ciência" que
se encontra atrelada a cadeiras como física, química, biologia ou
qualquer das demais cadeiras que integram as ditas ciências naturais -
ou mesmo as ciências sociais - áreas últimas também condizentes, ao
menos em princípio, com a definição estrita de "ciência", onde um
estudo científico - uma
teoria científica - deve necessariamente obedecer a todas as delimitações e restrições definidas pelo
método científico.
Ressalta-se assim que os aludidos fatos defendidos pelos seguidores da
doutrina como verídicos, embora tenha sobrevivido ao escrutínio de
veracidade mediante testes definidos pela metodologia própria à
doutrina, não sobrevivem os escrutínios condizentes apenas com o método
científico, e nenhum deles implicou, até a presente data, fato
científico propriamente dito. Mesmo esforçando-se para manter-se em
consonância com essa, espiritismo não é, frente ao rigor da definição,
ciência.
[nota 6][nota 7][161][162]
Jim Tucker,
M.D., é um dos cientistas continuadores da famosa pesquisa de
Ian Stevenson que defende conceitos como reencarnação e mediunidade.
Allan Kardec buscou certamente incorporar o
método científico na metodologia inerente ao fundar o Espiritismo, contudo não restringiu os pilares da Doutrina à
ciência, definindo-a também sobre pilares da
religião e
filosofia; e é por não tê-lo seguido de forma única que muitos céticos classificam o Espiritismo como uma
pseudociência ou
superstição[152][153].
Mesmo não considerados ciência em sentido estrito, justamente por serem
sustentados também por pilares filosófico-religiosos, os fenômenos
espíritas foram e ainda são, contudo, objetos de estudos para um número
bem expressivo de
pesquisadores (mais notoriamente médicos e parapsicólogos)
[150][163][164][165][166]
ao redor do mundo; e dentre estes, muitos alegaram/alegam inclusive
dispor de fortes evidências para corroborar de forma bem próxima à
científica estrita vários dos princípios espíritas.
[150][151][167][168] Por exemplo, há uma pesquisa efetuada mundialmente pelo falecido professor de
psiquiatria canadense da
Universidade da Virgínia,
Ian Stevenson, desde os
anos 1960 até
2007, com mais de três mil estudos de casos, que segundo ele, fornecem evidências que sugerem não apenas a existência de
espíritos como também a
mediunidade, o
desdobramento espiritual e a
reencarnação, nomeadamente com a publicação de
Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação (1966).
[169][170][171][172] Os médicos psiquiatras
Jim Tucker e
Bruce Greyson continuam o trabalho de Stevenson relacionado a espiritualidade.
[173]
O norte-americano Dr.
Raymond Moody é outro cientista muito aclamado por seus estudos que defendem conceitos espíritas, ele é autor do
best seller Vida Depois da Vida e é considerado o principal responsável pelo surgimento do interesse popular nas
experiências de quase morte.
[95][174][175]
Mesmo que estudados por várias personalidades de renome que acabaram por contribuir de outras formas, significativas ou não, à
ciência em sua
acepção moderna, as metodologias utilizadas pelas correntes espíritas são até hoje diferentes ou transcendem o
método científico, e por tal o espiritismo permanece, hoje mais do que outrora, notoriamente muito mais atrelado às
religiões do que às academias científicas propriamente ditas.
[176]
Concluindo-se que o Espiritismo tenha importado, a fim de estruturar seu corpo de conhecimento, muito da
metodologia científica,
mostra-se importante ressaltar que ele desenvolve-se sobre princípios
que transcendem os rigores dessa metodologia, de forma que vários dos
resultados e fenômenos dentro do Espiritismo entendidos como válidos
perante sua metodologia própria não se sustentam frente à metodologia
científica - essa estabelecida com base e princípios certamente mais
rigorosos e restritivos. Quando o termo
ciência é usado com acepção estrita (
acadêmica), tais extrapolações ao
método científico, embora internamente úteis ao validarem vários preceitos da doutrina, impedem a classificação do Espiritismo como
ciência;
e essa doutrina não constitui cadeira científica, mesmo compartilhando
com a ciência de outrora o estudo de vários fenômenos, e nela
encontrando-se por vezes referências frequentes a vários cientistas de
renome. O termo ciência a vigorar junto ao espiritismo caracteriza-se
por acepção lata e não estrita na grande maioria dos casos, sobretudo na
atualidade.
[carece de fontes]
Muitos cientistas e intelectuais renomados empenharam-se em investigações sobre a mediunidade e suas implicações para as
relações mente-cérebro, entre eles:
Allan Kardec,
Alfred Russel Wallace,
Alexandre Aksakof,
Cesare Lombroso,
Camille Flammarion,
Carl Jung,
Cesare Lombroso,
Charles Richet,
Gabriel Delanne,
Frederic Myers, Hans Eysenck,
Henri Bergson,
Ian Stevenson,
J. J. Thomson,
J. B. Rhine, James H. Hyslop,
Johann K. F. Zöllner,
Lord Rayleigh,
Marie Curie,
Oliver Lodge,
Pierre Curie,
Pierre Janet,
Théodore Flournoy,
William Crookes,
William James e William McDougall.
[177][178]
Em termos de
Medicina, indivíduos com sintomas como audição ou visão de espíritos já foram apontados como sendo portadores de
transtornos mentais mas há muito, com as atualizações da
Classificação internacional de doenças, a Medicina reconhece que esses sintomas não possuem necessariamente causas
patológicas.
[179] É importante também lembrar que a
Organização Mundial de Saúde
define "saúde" como o "estado de completo bem-estar físico, mental e
social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade",
[180] definição que não sofreu emendas desde a fundação da Organização, em 1948
[181].
A
Classificação internacional de doenças
(CID) em sua décima atualização, a CID-10, prevê, em seu item F.44.3 os
chamados "Estados de transe e de possessão", definidos como:
- "Transtornos caracterizados por uma perda transitória da
consciência de sua própria identidade, associada a uma conservação
perfeita da consciência do meio ambiente."
Contudo, explicitamente descreve em alínea seguinte:
- "Devem aqui ser incluídos somente os estados de transe
involuntários e não desejados, excluídos aqueles de situações admitidas
no contexto cultural ou religioso do sujeito.[182]
Nesse sentido é feita a distinção entre o estado de transe normal - a exemplo a
hipnose, não mais considerado doença - e o
transtorno dissociativo psicótico, uma patologia
psiquiátrica. Exclui-se desse item também, entre outros, a
esquizofrenia. Evidencia-se também na CID que os estados de transes tidos por espiritualistas como oriundos de
"possessões espirituais"
- comuns em ambientes religiosos - não são acobertados pelo item F.44.3
citado, e não são considerados patológicos; e apesar da CID reconhecer
tais estados de transe ao excluí-los explicitamente, também não aponta
"espíritos" como causa de transe algum, mesmo que alguns adeptos
espiritualistas insistam em dizer o contrário.
[183][184]
A expressão "possessão" figura no referido item da CID com acepção
que remete aos estados de agitação demasiada, de agressividade ou mesmo
de fúria; e mediante tal acepção a leitura do item associado em íntegra
implica, nitidamente, o não reconhecimento da tal causa "espiritual"
(vide alínea). Argumento em favor da asserção inicial deriva também do
fato de que o reconhecimento de tal causa pela Organização Mundial de
Saúde implicaria a inserção compulsória dessa na CID bem como a
necessidade de tratamento ou acompanhamento específicos visto serem tais
estados de "possessão" prontamente reconhecidos, antes de mais nada
pelos próprios espiritualistas, como situações muitas vezes prejudiciais
à saúde do "possuído" e que requerem por tal tratamento ou mesmo
acompanhamento "espiritual" imediato, tratamentos esses certamente
fornecidos - segundo suas crenças - pelos referidos grupos ou
autoridades religiosas capacitadas junto aos seus templos ou ambientes
de reuniões; contudo não definidos, estabelecidos, tampouco cogitados
pela Organização Mundial de Saúde.
[185][186][187]
O
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais,
em sua quarta revisão (1994), incluiu advertência contra a
interpretação equivocada de experiências espirituais ou religiosas como
transtornos mentais e distinguiu dos transtornos mentais uma outra
categoria de problemas classificados como “outras circunstâncias que
podem ser foco de atenção clínica”, incluindo-se a isto uma subcategoria
específica denominada “problemas espirituais ou religiosos”, para a
orientação de profissionais da saúde no diagnóstico e tratamento de
alguns possíveis problemas não-patológicos dos pacientes.
[188]
Em resumo, embora evoluindo gradualmente e já reconhecendo a influência do
estado de espírito na saúde e bem-estar,
[189]
verifica-se que, sendo uma cadeira científica, a medicina mantém-se
alinhada com a metodologia científica, e a existência de espíritos ainda
transcende também a medicina moderna.
[152][153]
Contudo, em virtude do crescente reconhecimento da importância do
estado de espírito à saúde, notórias instituições científicas, como a
The World Psychiatric Association,
American Psychological Association,
American Psychiatric Association e
Royal College of Psychiatrists, possuem seções dedicadas à relação entre saúde e espiritualidade.
[189] Segundo a
American Medical Association,
em 1992, 2% de todas as escolas médicas dos EUA ofereciam cursos
relacionados à espiritualidade. Em 2004 esse número cresceu para 67%, o
que significa que dos 150 cursos de medicina lá existentes, 100 deles
incluíam no currículo algum conteúdo relacionado à espiritualidade e
medicina.
[190]
A relação do Espiritismo em si com a medicina é profunda, estando presente em muitos
livros espíritas e havendo inclusive a
Associação Médico-Espírita Internacional, que congrega associações médico-espírita de diversos países.
[191]
O Espiritismo constitui um amplo movimento internacional de
instituições de caridade e saúde, como se constata principalmente
através da existência de tais associações, inúmeros hospitais e centros
espíritas e uma notória promoção da
psiquiatria e da
homeopatia.
[23][192][193]
O médico e político Dr.
Bezerra de Menezes, espírita, escreveu o clássico livro "
A Loucura sob Novo Prisma",
buscando principalmente relacionar a questão dos transtornos mentais
com o Espiritismo e assim promover a aplicação de meios mais eficazes de
tratamento no campo da
saúde mental.
[194]
Atualmente o psiquiatra e parapsicólogo Dr.
Alexander Moreira-Almeida, coordenador da
Seção de Espiritualidade, Religiosidade e Psiquiatria
da World Psychiatric Association, é um dos principais nomes no estudo
científico da relação entre saúde e experiências espirituais,
principalmente a mediunidade.
[178][195][196]
Relação com outras religiõesEditar
Não há consenso entre os espíritas sobre o Espiritismo ser ou não uma religião,
[37][38]
apesar da doutrina constar como religião em pesquisas demográficas. A
causa disto é o tríplice aspecto do Espiritismo que permite
classificá-lo como uma doutrina que faz um alinhamento
"ciência-filosofia-religião",
[9][10][18][19][20] desta forma um conhecimento triplo que permite a união dessas três formas de pensamento. O
médium e
filantropo espírita
Chico Xavier define e completa a ideia da seguinte forma —
De
maneira que se tirarmos a religião do Espiritismo fica um corpo sem
coração, se tirarmos a ciência fica um corpo sem cabeça e se tirarmos a
filosofia fica um corpo sem membros.'[38][197] No preâmbulo do livro "O Que É o Espiritismo?", Allan Kardec afirma que
o
Espiritismo é, ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina
filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se
estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas
as consequências morais que emanam essas mesmas relações. Há ainda
quem conteste o aspecto religioso do Espiritismo, contudo no livro
publicado pelo codificador, intitulado "O Espiritismo na sua mais
simples expressão",
[17][198] claramente ele assegura:
Do
ponto de vista religioso o Espiritismo tem por base as verdades
fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as
penas e as recompensas futuras, sendo, porém, independente de qualquer
culto em particular. Seu objetivo é provar àqueles que negam, ou que
duvidam, que a alma existe, que ela sobrevive ao corpo e que sofre, após
a morte, as consequências do bem e do mal que praticar durante a vida
corpórea: o objetivo de todas as religiões.[68].
Kardec ainda esclarece que Espiritismo é religião no Discurso de
Abertura da Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos (Sociedade de
Paris, 1º de novembro de 1868), em que diz:
Se é assim, perguntarão,
então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No
sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos
por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e
da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre
bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.[199]
No Congresso Espírita Internacional realizado em Paris em 1925 foi
proposto a retirada do aspecto religioso do Espiritismo, mas o
importante filósofo espírita francês
Léon Denis se opôs a isso com tenacidade, mesmo com sua já fraca condição física de saúde.
[57] Para Denis o Espiritismo não era a "religião do futuro", mas sim o "futuro da religiões".
[200]
A posição oficial da
Igreja Católica
proíbe terminantemente aos seus fiéis assistir a sessões mediúnicas
realizadas ou não com auxílio de médiuns espíritas - mesmo que estes
pareçam ser honestos ou piedosos - quer interrogando os espíritos e
ouvindo suas respostas, quer assistindo por mera curiosidade. Posições
similares têm as
religiões protestantes.
[carece de fontes]
A Doutrina Espírita, por sua vez, afirma respeitar todas as religiões
e doutrinas, e valorizar todos os esforços para a prática do bem e diz
trabalhar pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre
todos os homens,
[201]
embora rejeite firmemente, reitere-se, dogmas fundamentais das outras
religiões monoteístas; no caso particular do cristianismo, destacam-se o
da divindade de Cristo, o da
Santíssima Trindade,
o da salvação/justificação pela graça (mais que pelas obras/esforços
individuais), e o da existência e importância da Igreja como entidade
espiritual, não apenas humana
[202],
A doutrina espírita adota a moral cristã
[nota 8], apesar de suas concepções teológicas diferenciadas. Para os espíritas, nome dado aos seguidores do Espiritismo,
Jesus Cristo se trata do espírito mais elevado a já ter encarnado na Terra
[126],
bem como o modelo de conduta para o auto-aperfeiçoamento humano, tendo
provado, pela prática da caridade absoluta e pela sua própria
encarnação, que o homem pode suportar as provas necessárias para a sua elevação espiritual.
[carece de fontes]
Os espiritistas (tradução muito usada durante as primeiras décadas do século XX para o neologismo francês
spirite)
ou espíritas, afirmam-se cristãos e atribuem à doutrina espírita o
caráter de uma doutrina cristã, já que consideram seguir os ensinamentos
morais de Jesus. Entretanto, essa associação entre o espiritismo e o
cristianismo é contestada pelas religiões de
tradição judaico-cristã,
sob a alegação de que, embora partilhem de valores morais semelhantes, a
rejeição espírita a diversos dogmas bíblicos e teológicos preconizados
por elas inviabilizaria a conceituação do espiritismo como cristão.
[carece de fontes]
Os espíritas fundamentam sua defesa do caráter cristão da doutrina
espírita no fato de Allan Kardec defender que a moral cristã, isenta dos
dogmas
de fé a ela associados, seria o que de mais próximo a um código de
ética divino e racional o homem possui. Os espíritas argumentam que os
dogmas foram elaborados ao longo dos séculos pela Igreja Católica, não
sendo, por isso, necessário segui-los para ser cristão. Além disso, o
item 625 d'
O Livro dos Espíritos afirma ser Jesus o maior exemplo
moral de que dispõe a humanidade, apesar de o espiritismo negar a ele
qualquer carácter efetivamente divino.
[203]
A professora
Dora Incontri, pós-doutorada pela Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo,
também defende o caráter cristão da doutrina espírita, apontando, na
proposta estruturada por Allan Kardec, um novo modelo de religião,
alheio a dogmas, fórmulas, hierarquias sacerdotais e baseado
eminentemente no aspecto ético-moral do indivíduo. Considera ainda
Jean-Jacques Rousseau e
Johann Heinrich Pestalozzi
como os dois grandes precursores da ideia de uma "religiosidade
natural", predominantemente moral, e defende que "evidenciou-se com a
publicação de "O Evangelho segundo o Espiritismo" e de "O Céu e o
Inferno" que, embora não o confessasse, ele [Kardec] estava fazendo uma
nova leitura do Cristianismo".
[204]
O conceito bíblicoEditar
Sermão da MontanhaEditar
As
bem-aventuranças são 9 ensinamentos que Jesus proferiu no
Sermão da Montanha, segundo o
Novo Testamento (
Mateus 5:1-12). Para o espiritismo estes ensinamentos são de grande importância, a seguir serão apresentados sobre a óptica espírita.
«"Bem aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus"
» (
Mateus 5:3).
No entender da doutrina espírita, Jesus promete o reino dos céus aos
simples e humildes em referência as qualidades morais do indivíduo.
[205]
«"Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados."
"Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão
saciados." "Bem aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois
que é deles o reino dos céus"
» (
Mateus 5:4-10).
Segundo o espiritismo, somente na vida futura podem efetivar-se as
compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. A fé no porvir pode
consolar e infundir paciência no espírito que suporta as diversas
anomalias terrestres com calma e resignação. Todavia não justifica as
causas da diversidade dos males, das desigualdades entre o vício e a
virtude, das deformidades e dos flagelos naturais. As vicissitudes da
vida podem dividir-se em duas partes de acordo com a ótica espírita:
umas tem suas explicações na vida presente, enquanto outras se encontram
fora desta vida. Esta ultima causa na visão espírita é explicada pela
pluralidade das existências em que o espírito encarnado paga os males
que cometeu em vidas anteriores.
[206]
«"Bem aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus"
» (
Mateus 5:8).
A pureza do coração assemelha-se ao princípio da simplicidade e
humildade, que exclui toda ideia de orgulho e de egoísmo. Segundo o
espiritismo, o emblema de pureza que Jesus toma pela infância não deve
ser tomado ao pé da letra, "
Então lhe trouxeram algumas crianças para
que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo
isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai que venham a mim os pequeninos,
não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos
digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira
nenhuma entrará nele",
Marcos
10:13-15. O espírito da criança não podendo ainda manifestar suas
tendências para o mal, representa, momentaneamente, a imagem da
inocência e da candura assemelhando-se aos espíritos puros. Contudo, as
ações [boas ou más] tomadas pelo espírito antes de encarnar irão
refletir, pouco a pouco, no seu comportamento como espírito encarnado.
Portanto, na medida em que o espírito encarnado vai desenvolvendo sua
estrutura física, desenvolve também sua estrutura psíquica que encontra
as características comportamentais correspondentes a conduta real do
próprio espírito.
[207]
«"Bem aventurados os brandos, por que possuirão a Terra"
» (
Mateus 5:5).
«"Bem-aventurados os pacíficos, por que serão chamados filhos de Deus"
» (
Mateus 5:9). Segundo o espiritismo, Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma lei.
[208]
«"Bem aventurados os que são misericordiosos, por que obterão
misericórdia"
» (
Mateus 5:7).
A misericórdia consiste no perdão das ofensas, para a doutrina espírita
o sacrifício que mais apraz a Deus é a reconciliação com os
adversários, conforme está em Mateus 5:23-24.
[209]
Segundo o espiritismo, toda a moral cristã se resume neste axioma:
| “ |
Fora da caridade não há salvação. |
” |
Para boa parte das religiões cristãs, a
reencarnação está em desconformidade aos ensinamentos da Bíblia, a ressurreição, ao conceito de salvação e do eterno suplício.
[210][211] Exemplificam a passagem do apostolo
Paulo
que determina o estado de toda a humanidade após a morte. "E, como aos
homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo..." (
Hebreus 9:27).
Concluindo que o "juízo" refere-se a "condição final" em que todos os
humanos serão julgados, vivos e mortos, estes últimos ressuscitarão.
[carece de fontes]
Para a doutrina espírita, entretanto, a reencarnação foi confundida pelo nome de
ressurreição,
que significa literalmente "voltar à vida", resultando as diversas
causas de anfibologia. A crença de que o homem poderia reviver é antiga e
fazia parte dos dogmas judeus, porém não era determinado de que maneira
o fato iria ocorrer, pois apenas tinham vagas e incompletas noções
acerca da alma e de sua ligação com o corpo.
[212] Segundo alguns adeptos do espiritismo, o apostolo
Paulo
na citação anterior, desvenda a duvida referente à ressurreição e
desfaz a crença da volta do espírito no corpo que já está morto para
morrer segunda vez no mesmo, sobretudo quando os elementos da matéria
orgânica já se acham dispersos e absorvidos pelo tempo, pois todos os
homens morrem apenas uma vez a cada existência corpórea.
[213][214] Afirmam ainda que o "juízo" refere-se ao estado individual (não coletivo) que sucede a morte do corpo (
erraticidade).
[215]
Embora não resolva profundamente o problema da ambiguidade diversas
passagens bíblicas enfatizam a reencarnação, segundo o espiritismo, em
Jó 14:10-14[nota 11],
Marcos 6:14-16,
Marcos 9:11-13 e
João 3:1-12.
Lei do ProgressoEditar
O
Juízo Final,
representa, segundo a doutrina espírita, o processo de "Regeneração da
Humanidade", no qual a Terra sofrerá uma lenta transformação
físico-moral, em que se separarão os espíritos que desejam seguir o
caminho do bem daqueles que permanecerem no mal — evento simbolizado na
Parábola do Julgamento das Nações em
Mateus 25:31-46,
[216] e pela
Parábola do Trigo e do Joio em
Mateus 13:24-30.
[217][218]
Todavia, essa desagregação não fará com que os "espíritos imperfeitos"
permaneçam eternamente no sofrimento situação semelhante encontrada em
Lucas 15:1-32,
[219][220] pois tudo que há no universo está destinado à
lei do progresso.
[221]
A lei do progresso está intimamente ligada à reencarnação e a
lei de causa e efeito. A doutrina espírita explica que, sendo o espírito dotado de
livre-arbítrio,
este responderá pelo bem ou mal que proporcionar a si mesmo e aos
outros. A lei de causa e efeito procura explicar os acontecimentos da
vida atribuindo um motivo justo que gera uma consequência proveitosa
para o espírito. Através da reencarnação o espírito pode provar as
experiências adquiridas na pratica do bem ou reparar o mal que praticou
em anteriores encarnações.
[carece de fontes]
As religiões de matriz judaico-cristã entendem que, com a Lei dada a
Moisés no
Antigo Testamento,
Deus teria interditado à antiga Israel as comunicações com o mundo dos
espíritos e o uso de poderes "sobrenaturais" por eles concedidos. "
…
não haverá no meio de ti ninguém que faça passar pelo fogo seu filho ou
sua filha, que interrogue os oráculos, pratique adivinhação, magia,
encantamentos, enfeitiçamentos, recorra à adivinhação ou consulte os
mortos (
necromancia)" (
Deuteronômio 18:10-14). Afirmam ainda que essa proibição teria sido confirmada no
Novo Testamento, pelas referências contidas nos
Evangelhos e no livro de
Atos dos Apóstolos aos "espíritos impuros". A citação do apóstolo Paulo em
Gálatas 5:20, afirma que quem pratica "
feitiçaria" (ou bruxaria, pois o termo grego usado é
farmakía)
… não herdará o Reino de Deus".
[carece de fontes]
Já para a doutrina espírita, a Bíblia não condena a prática mediúnica
em si, pois esta seria fundamentada em um fenômeno natural. A
condenação bíblica seria, na verdade, a mesma do movimento espírita:
condena-se o uso dos recursos mediúnicos para finalidades frívolas,
fraudulentas ou com objetivos de ganhos materiais ou econômicos do
médium, já que a mediunidade deve ser gratuita, com o único objetivo de
exercer a caridade (vide
#Primeiras observações)
[222].
Ao mesmo tempo, a postura da Doutrina Espírita propõe que se avaliem
os textos bíblicos, quando verdadeiramente originais, de forma crítica,
levando em conta o seu patamar simbólico, em função dos recursos
vocabulares e figuras de linguagem disponíveis à época, em ensinamentos
dirigidos a um povo simples e sem repertório, e, consequentemente,
desprovido das complexidades e riquezas linguística, cultural e material
necessárias para a compreensão de conceitos que nem mesmo o homem
atual, como todas as suas aquisições intelectuais, é capaz de
compreender em toda a sua profundidade.
[56].
Ramo de videira é uma das poucas imagens reconhecidas pelo espiritismo
O Espiritismo não possui um símbolo oficial e prioriza uma linguagem denotativa, no entanto, o ramo de
videira
presente em O Livro dos Espíritos - única gravura usada por Kardec na
Codificação Espírita - é considerado pela doutrina como a imagem
metafórica perfeita da relação entre o espírito e o corpo-humano, devido
a esse trecho:
[223]
| “ |
Porás
no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do
trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais
que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o
espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O
homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o
trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos. |
” |
Federação Espírita BrasileiraEditar
A
Federação Espírita Brasileira é uma
entidade de utilidade pública[224]
que foi fundada em 2 de janeiro de 1884, no Rio de Janeiro.
Constitui-se em uma sociedade civil, religiosa, educacional, cultural e
filantrópica, que tem por objeto o estudo, a prática e a difusão do
Espiritismo
[225] em todos os seus aspectos, com base nas obras da
codificação
de Allan Kardec e nos Evangelhos canônicos. O Departamento Editorial da
Federação Espírita Brasileira possui um catálogo de mais de 400 títulos
que passam de 40 milhões de livros vendidos. Todos inspirados na
Codificação Kardequiana: romances, mensagens, contos, crônicas, textos
científicos e filosóficos, vídeos, apostilas e CDs de canções espíritas.
[carece de fontes]
Conselho Espírita InternacionalEditar
O
Conselho Espírita Internacional
(CEI) é um organismo resultante da união das associações
representativas dos movimentos espíritas nacionais e atualmente possui
35 países associados. Foi constituído em 28 de novembro de 1992 em
Madrid, na Espanha. Seus objetivos são:
[carece de fontes]
- Promoção da união solidária e fraterna das instituições
espíritas de todos os países e a unificação do movimento espírita
mundial;
- Promoção do estudo e da difusão da Doutrina Espírita em seus três
aspectos básicos, quais sejam o científico, o filosófico e o religioso;
- Promoção da prática da caridade material e moral, conforme ensina a Doutrina Espírita.
O principal evento organizado pelo CEI é o Congresso Espírita Mundial, realizado a cada três anos.
[226]
Confederação Espírita Pan-AmericanaEditar
A
Confederação Espírita Pan-Americana,
fundada em 5 de outubro de 1946 na Argentina, é uma instituição
internacional, que congrega majoritariamente espíritas da América
Latina. A CEPA possui instituições adesas e filiadas em diversos países,
e defende uma visão
laica
a respeito do espiritismo. A organização assume posicionamentos
polêmicos entre os espíritas, como a desvinculação entre a doutrina e o
cristianismo e a necessidade de se atualizar o espiritismo em face da
ciência. Desde o dia 13 de outubro de 2000, a sede da CEPA passou a ser
Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A atuação da CEPA no Brasil se dá,
principalmente, através de eventos promovidos por instituições adesas,
como o
Fórum do Livre Pensar Espírita e o
Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita[227].
Associação Médico-Espírita InternacionalEditar
A
Associação Médico-Espírita Internacional
(AME – INTERNATIONAL) foi fundada a 4 de junho de 1999, em São Paulo,
Brasil. A associação tem como missão congregar as Associações
Médico-Espíritas dos diversos países e tem como finalidade o estudo da
Doutrina Espírita e de sua fenomenologia, tendo em vista a sua relação e
integração com os campos da Ciência, em particular da Medicina, da
Filosofia e da Religião. Para cumprir essa missão, estimula ou apóia a
realização de estudos, cursos, experiências e pesquisas científicas,
visando a aplicação do paradigma médico-espírita. Atualmente a
AME-INTERNATIONAL possui 9 países integrados e tem realizado inúmeros
eventos em vários países dos continentes americano e europeu.
[228]
Espiritismo no mundoEditar
De 1857, ano do lançamento do Livro dos Espíritos, a 1869, ano do
falecimento de Kardec, o Espiritismo conseguiu 7 milhões de adeptos.
[229] Segundo dados do ano 2005, o Espiritismo possui cerca de 15 milhões de adeptos ao redor do mundo,
[230] e segundo dados do ano 2010, o
Brasil - país com mais adeptos
[6][231] - conta com cerca de 3,8 milhões de espíritas.
[232][233] O
Conselho Espírita Internacional (CEI) tem 36 países membros, sendo eles:
Alemanha,
Angola,
Argentina,
Austrália,
Áustria,
Bélgica,
Bolívia,
Brasil,
Canadá,
Chile,
Colômbia,
Cuba,
El Salvador,
Espanha,
Estados Unidos,
França,
Guatemala,
Holanda,
Honduras,
Irlanda[234],
Itália,
Japão,
Luxemburgo[235],
México,
Moçambique[236],
Noruega,
Nova Zelândia,
Panamá,
Paraguai,
Peru,
Portugal,
Reino Unido,
Suécia,
Suíça,
Uruguai e
Venezuela.
[237] Outra organização espírita internacional, a
Confederação Espírita Pan-americana, reúne instituições espíritas e delegados de 13 países como
Argentina,
Brasil,
Colômbia,
Cuba,
Espanha,
Estados Unidos,
França,
Guatemala,
Honduras,
México,
Porto Rico,
República Dominicana e
Venezuela.
[238][239][240]
No Brasil, segundo o
Censo demográfico de 2010,
o Espiritismo cresceu do ano de 2000 até 2010, com um expressivo
aumento de mais de 60% de seguidores, passando de 2,3 milhões para 3,8
milhões de seguidores,
[232]
tendo a maioria destes, idades entre 50 e 59 anos (3,1%), e na
comparação com as demais posições em relação a religião, tendo o maior
número de pessoas com taxa de alfabetização (98,6%),
ensino superior completo (31,5%) e rendimento acima de 5
salários mínimos (19,7%), além das menores percentagens de indivíduos sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%).
[233]
Primeiro Congresso Espírita Mundial, realizado no Brasil em 1948.
O Espiritismo chegou ao
Brasil em
1865 segundo relatos da FEB (
Federação Espírita Brasileira), porém há divergências desta
opinião[241] conforme relatado abaixo:
Teve através de
Bezerra de Menezes[243] e
Chico Xavier[244] a oportunidade de se popularizar pelo
país, espalhando seus
ensinamentos por grande parte do
território brasileiro. Hoje, o
Brasil é o que reúne o maior
número de
espíritas em todo o
mundo[245]. A
Federação Espírita Brasileira – entidade de âmbito
nacional do movimento
espírita –
congrega aproximadamente
dez mil instituições espíritas
[246], espalhadas por todas as
regiões do
país. Há várias associações espíritas brasileiras de profissionais específicos, como a
Associação Médico Espírita do Brasil,
Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas,
Associação Brasileira de Magistrados Espíritas,
Associação Brasileira de Artistas Espíritas,
Cruzada dos Militares Espíritas, etc.
[57]
Em
2010, o
Brasil possuía cerca de 3,8 milhões de
espíritas, de acordo com o último
censo demográfico[247] de
autoria do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizado no mesmo
ano. Com efeito, o
IBGE trata os termos
Kardecismo e
Espiritismo como
equivalentes em sua classificação
censitária.
[248]
Terceiro maior
grupo religioso do
País, os
espíritas são, também, o
segmento social que têm maior
renda e
escolaridade, segundo os dados do mesmo
Censo. Os
espíritas têm sua imagem fortemente
associada à prática da
caridade. Eles mantêm em todos os
estados brasileiros asilos,
orfanatos,
escolas para pessoas carentes,
creches e outras
instituições de assistência e promoção
social.
[57] Allan Kardec, o codificador do
Espiritismo, é uma personalidade bastante
conhecida e respeitada no
Brasil.
[249] É o
autor francês mais
lido no
país, seus
livros já
venderam mais de 25 milhões de exemplares em todo o
território brasileiro. Se forem contabilizados os demais
livros espíritas, todos decorrentes das obras de
Kardec, o
mercado editorial brasileiro espírita ultrapassa 4.000
títulos já editados e mais de
100 milhões de exemplares
vendidos[250]. A temática espírita constitui o mercado editorial literário de maior sucesso no Brasil, sendo que os
livros espíritas lideram o
ranking dos mais
vendidos nas principais
livrarias do
país[57][251].
- Capitais com maior percentagem de espíritas
Atualizado segundo o Censo brasileiro de 2010
[252]
| # |
Capital |
% da população espírita |
| 1 |
Florianópolis |
7,3% |
| 2 |
Porto Alegre |
7,1% |
| 3 |
Rio de Janeiro |
5,9% |
| 4 |
São Paulo |
4,7% |
| 5 |
Goiânia |
4,3% |
| 6 |
Belo Horizonte |
4,0% |
| 7 |
Campo Grande |
3,6% |
| 8 |
Recife |
3,6% |
| 9 |
Brasília |
3,5% |
| 10 |
Cuiabá |
3,5% |
-
Selo dos
Correios em homenagem ao 1º Centenário do Espiritismo (1957).
-
-
Festival Allan Kardec em São Paulo.
-
Concerto em homenagem aos 150 anos do espiritismo em São Paulo
Após a
legalização das
religiões em Cuba, houve um renascimento do
Espiritismo, que vinha ocorrendo no
país cubano desde o
século XIX[253].
Segundo dados do
Ministério das Religiões, no ano de
2011 em
Cuba havia
400 centros espíritas e mais
200 sendo registrados, tornando
Cuba, o
segundo país mais espírita do mundo, por
número de centros. A
Associação Médico Espírita de Cuba contém o maior
número de
militantes na
Associação Médico-Espírita Internacional.
[254]
Temática espírita na mídia audiovisualEditar
Esta é uma lista das principais obras não-literárias com temática espírita
[255] (
a lista completa dessas obras encontra-se na página anexa,
logo acima):
- Joelma 23º Andar (1979), filme brasileiro dirigido por Clery Cunha e protagonizado por Beth Goulart, baseado na obra "Somos Seis" psicografada por Chico Xavier. É o primeiro no país com temática espírita e o único que retratou o incêndio do Edifício Joelma que deixou 179 mortos e mais de 300 feridos (1 de fevereiro de 1974);
- O Médium (1983), filme brasileiro dirigido por Paulo Figueiredo que narra a história de Adriano Jordão, um médico auxiliado espiritualmente em suas cirurgias;[carece de fontes]
- O Espiritismo - De Kardec aos Dias de Hoje (1995), filme brasileiro com atuação de Ednei Giovenazzi no papel de Allan Kardec e narrado por Aracy Balabanian,
traz uma visão geral sobre os preceitos básicos da Doutrina Espírita e
sua contribuição para o progresso e a felicidade do ser humano. O filme
abrange desde as obras que compõem a Codificação do Espiritismo por
Kardec ao Movimento Espírita do momento em que foi oficialmente lançado;[carece de fontes]
- Eurípedes Barsanulfo - Educador e Médium (2006), filme brasileiro do gênero documentário, dirigido por Oceano Vieira de Melo e narrado pelo ator Lima Duarte. Conta a história de Eurípedes Barsanulfo, um grande expoente do Espiritismo e da Educação Escolar no País;[carece de fontes]
- Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito (2008), filme brasileiro dirigido por Glauber Filho e Joe Pimentel. Narra a história de Bezerra de Menezes, conhecido como "o médico dos pobres" e "o Kardec brasileiro". Nas 27 semanas em que esteve em cartaz, de agosto de 2008 a março de 2009, foi visto por mais de 500 mil espectadores[256];
- Chico Xavier (2010), filme brasileiro protagonizado por Nelson Xavier e Ângelo Antônio. Narra a biografia do mais famoso e aclamado médium brasileiro Chico Xavier, tendo alcançado a marca de 3,5 milhões de espectadores nos cinemas[256];
- Nosso lar (2010), filme brasileiro dirigido por Wagner de Assis, com base no livro homónimo ("Nosso Lar") psicografado por Chico Xavier, retrata a vida após a morte na colônia espiritual Nosso Lar. Com trilha sonora composta por Philip Glass, foi distribuído pela 20th Century Fox. Alcançou a marca de mais de 4 milhões de espectadores nos cinemas[257];
- As Cartas Psicografadas por Chico Xavier (2010), filme brasileiro do gênero documentário, dirigido por Cristiana Grumbach
mostrando o testemunho de famílias que receberam notícias de seus entes
queridos falecidos por meio de cartas psicografadas por Chico Xavier.
Foi selecionado para participar da mostra competitiva do 3º Festival Paulínia de Cinema, para o 38º Festival de Cinema de Gramado e para a 5ª Mostra de Cinema de Ouro Preto[258];
- O Último Romance de Balzac (2010), filme brasileiro dirigido por Geraldo Sarno, baseado na obra do psicólogo Osmar Ramos Filho chamada "O Avesso de um Balzac Contemporâneo", que consiste em uma análise positiva do livro "Cristo Espera por Ti" psicografado por Waldo Vieira, cuja autoria é atribuída ao espírito de Honoré de Balzac[259];
- As Mães de Chico Xavier (2011), filme brasileiro dirigido por Glauber Filho e Halder Gomes, com roteiro dos mesmos diretores baseado no livro "Por Trás do Véu de Ísis", de Marcel Souto Maior. Narra a história de três mães que, após perderem os filhos, recorrem a Chico Xavier na esperança de receberem mensagens do plano espiritual;[carece de fontes]
- O Filme dos Espíritos (2011), filme brasileiro com o roteiro livremente baseado em "O Livro dos Espíritos" (a 1ª obra da Codificação Espírita).
Conta a história do psiquiatra Bruno Alves (Reinaldo Rodrigues), que
após perder a mulher vitimada por um câncer, se vê completamente abalado
e com vontade de se suicidar até que entra em contato com "O Livro dos Espíritos" iniciando uma jornada em busca de sua felicidade a partir da compreensão da vida espiritual pelo Espiritismo;[carece de fontes]
- E a Vida Continua... (2012), filme brasileiro dirigido por Paulo Figueiredo, com base no livro homônimo ("E a Vida Continua...") psicografado por Chico Xavier. Narra a trajetória do casal Ernesto e Evelina após a morte física.
Seriados de TVEditar
- The Dead Zone (2001), produzida pela Lionsgate Television e pela CBS Paramount Network Television cujos temas principais são os fenômenos paranormais experiência de quase-morte, psicometria, premonição e retrocognição. O seriado baseia-se no livro homônimo escrito por Stephen King e no filme homônimo dirigido por David Cronenberg[260];
- Medium (2005), produzida pela NBC cuja personagem principal utiliza sua mediunidade como auxílio a um promotor público na resolução de crimes. O seriado baseia-se na vida da médium norte-americana Allison DuBois, sobretudo em sua obra "Don't Kiss Them Good-Bye"[261];
- Ghost Whisperer (2005), produzida pela CBS
cuja personagem principal - uma médium - auxilia espíritos com
"assuntos inacabados" a "fazer a travessia" para a "luz". O seriado
baseia-se nas atividades do médium norte-americano James Van Praagh, um dos seus produtores;[carece de fontes]
- A Cura (2010), microsseriado exibido e produzido pela Rede Globo que retrata o protagonista Selton Mello no papel de um médium de cura que exerce cirurgias espirituais[262];
- Chico Xavier (2011), microsseriado biográfico exibido e co-produzido pela Rede Globo com produção da Lereby exibido entre 25 e 28 de janeiro a partir do filme homônimo. O seriado conta a trajetória do médium e filantropo Chico Xavier, o maior divulgador do Espiritismo no País;
- A Gifted Man (2011), produzida pela CBS em que um renomado médico cirurgião viúvo tenta mudar sua personalidade após passar a interagir com o espírito de sua falecida ex-esposa[263].
- Somos Todos Irmãos (1966), produzida pela extinta TV Tupi e inspirada no romance espírita A Vingança do Judeu[264] psicografado pela médium russa Vera Kryzhanovskaia;
- A Viagem (1975), produzida pela TV Tupi e inspirada nos romances espíritas Nosso Lar e E a Vida Continua... psicografados por Chico Xavier desenvolvendo uma trama complexa abordando os conceitos de mediunidade, morte, obsessão espiritual, reencarnação e outros. A Rede Globo concebeu um remake dela em 1994[265];
- O Profeta (1977), produzida pela extinta TV Tupi e também com um remake concebido em 2006 pela Rede Globo, mostra o personagem principal como um médium capaz inclusive de predizer o futuro[266];
- Anjo de Mim (1996), produzida pela Rede Globo, buscou mostrar a reencarnação e a terapia de vidas passadas por uma ótica espírita[265];[carece de fontes]
- Alma Gêmea (2005), produzida pela Rede Globo, narra a história de um casal cuja relação amorosa atravessou reencarnações[266];
- Escrito nas Estrelas
(2010), produzida pela Rede Globo, apresenta muitos temas espíritas
tais como a reencarnação, a evolução dos espíritos e a mediunidade[267];
- Amor Eterno Amor (2012), produzida pela Rede Globo, apresenta forte presença do Espiritismo com inúmeras cenas retratando práticas mediúnicas[268].
- "Além do Tempo" (2015),
produzida pela Rede Globo, abordou a reencarnação dos personagens
principais, do século XIX aos dias atuais, em uma chance dos personagens
acabarem com as rivalidades da vida passada.[269][270]
RoustainguismoEditar
Desde o século XIX, mais notavelmente na França e no Brasil, existem
conflitos de opinião entre os espíritas, ditos, equivocadamente,
"kardecistas", e os denominados "roustainguistas", consoante a admissão
ou não dos postulados da obra "Os Quatro Evangelhos ou Revelação da
Revelação", coordenada por Jean-Baptiste Roustaing, principalmente
acerca da gênese do corpo de Jesus e da queda espiritual, que provocaria
a primeira encarnação nos espíritos que faliram.
[carece de fontes]
Para os espíritas que aceitam o binômio Kardec-Roustaing, Jesus teve
um corpo "fluídico" no orbe terrestre devido a ser um espírito puro e,
portanto, a gênese desse corpo fora por sua vontade psico-magnética,
caracterizando-o como
agênere[271].
Já os espíritas que não aceitam a obra Os Quatro Evangelhos, coordenada
por Roustaing, acreditam que Jesus possuía um corpo material igual a de
qualquer ser humano encarnado, tendo sua gênese, também, sido igual.
Isto é, pela fusão de espermatozoide e óvulo.
[272][273][274][275]
Além disso "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing, explicam que os espíritos que faliram pelo
ateísmo,
pelo orgulho e pelo egoísmo encarnaram em mundos primitivos como
criptógamos carnudos (animais), o que representa a doutrina da
metempsicose,
que não é aceita pelo Espiritismo, haja vista que a doutrina da
reencarnação afirma que o Espírito somente reencarna no reino hominal (
Humanidade), após sua evolução pelos reinos mineral, vegetal e animal, para os quais não retornará mais.
[276]
Racionalismo cristãoEditar
Na cidade brasileira de Santos, em 1910 surgiu uma dissidência do
movimento espírita, que se denominou "Espiritismo Racional e Científico Cristão" e, posteriormente,
Racionalismo cristão, sistematizada por
Luís de Matos e
Luís Alves Tomás[277].
No Brasil, desde a segunda metade da década de 1950, alguns centros espíritas seguem a doutrina ditada pelo espírito
Ramatis (corporificada sobretudo nas obras
psicografadas por
Hercílio Maes).
Distinguem-se dos centros espíritas tradicionais em função da maior
ênfase ao universalismo (origem comum das religiões) e ao estudo
comparado de religiões e filosofias espiritualistas ocidentais e
orientais. Nota-se também a influência mais acentuada de correntes de
pensamento orientais (tais como o
budismo e o
hinduísmo) e a proximidade com a
cosmogonia do
espiritualismo universalista[278].
ConscienciologiaEditar
Após o fim da parceria com o médium Chico Xavier em 1968, o médium
Waldo Vieira inicia pesquisa própria sobre o fenômeno denominado "
projeção da consciência"
(no Espiritismo referido como "desdobramento espiritual").
Consequentemente, em 1987 sistematiza o movimento de cunho
paracientífico chamado
Conscienciologia.
[97][279]
Renovação CristãEditar
Surgida no Brasil, também como uma dissidência do movimento espírita,
desde setembro de 2002. Sem deixar de seguir a Doutrina Espírita,
afirma fazê-lo com maior seriedade do que o movimento brasileiro em si,
argumento usado para o afastamento
[280].
- ↑ A Enciclopédia de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo definia Kardecismo da seguinte forma: "KARDECISMO (de Kardec + ismo).
Teoria pessoal de Allan Kardec acerca do Espiritismo. Como muito bem
acentua o Dr. Canuto Abreu, em excelente e corajoso trabalho, Espiritismo é a "doutrina dos Espíritos contida integralmente no "Livro do Espíritos" e Kardecismo é uma "obra humana, pessoal, particular". Logo mais abaixo, acrescenta: Lançando
a luz espírita sobre os ensinamentos de Jesus, Kardec pôde compreender o
Evangelho. Pela mesma forma qualquer outro código sagrado da
antiguidade. A maneira pessoal de Kardec entender os ensinamentos de
Jesus é que se chama Kardecismo. Portanto, para o cristão, o
Espiritismo é um complemento do cristianismo; para o budista, um
complemento do budismo. O Alcorão segundo o Espiritismo mostrará aos
muçulmanos aspectos novos do profetismo. Terminando: Distingamos, pois, Kardecismo de Espiritismo.
Este é uma doutrina geral, que serve para todos os povos. É a doutrina
da Era Nova. O Kardecismo é uma doutrina particular que só interessa ao
cristão. Interessa, por isso, quase à metade da população do mundo. O
Espiritismo interessa, porém, à totalidade."[1] Definição afim havia sido publicada em 1936 na Revista de Metapsíquica.[2]
- ↑ Deste tempos antigos, como em I Samuel 9:9 ("(Antigamente
em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde, e vamos ao
vidente; porque ao profeta de hoje, antigamente se chamava vidente)."), e como prática corrente, como em I Samuel 10:6-24 ("E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem. (...)". Conforme o contexto, constituía-se numa prática arriscada, como ilustrado em II Crônicas 16:7-10.
- ↑ "Nasceu em família espírita, realiza palestras, participa de grupos de estudo e de atividades como assistência a enfermos."[102]
- ↑ Atualmente existem estudiosos espíritas no Brasil que preferem denominar como fenomenologia espírita o estudo e as pesquisas que se referem aos fenômenos do espírito e da mente humana.
- ↑ Existem
várias e várias áreas do conhecimento em que os métodos científicos
tradicionais não podem ser aplicados - ou cujos métodos transcendem os
definidos pela metodologia científica - e como exemplo pode-se citar a própria Filosofia.
Em ambos os casos tais áreas nunca se caracterizam como áreas de estudo
científicas, e no caso particular da filosofia e correlatos, a ciência
geralmente responde de forma enfática: "Ciência é o que você sabe.
Filosofia é o que você não sabe" (Bertrand Russell); "A filosofia da ciência é tão útil para o cientista quanto a ornitologia para os pássaros" (Richard Feynman) - conforme relatado por Simon Singh - Big Bang (pág. 459. Vide referências).
- ↑ "A ciência só pode determinar o que é, não o que deve ser, e fora de seu domínio permanece a necessidade de juízos de valor de todos os tipos" (Albert Einstein);
"O homem domina a natureza não pela força, mas pela compreensão. É por
isto que a ciência teve sucesso onde a magia fracassou: porque ela não
buscou um encantamento para lançar sobre a natureza" (Jacob Bronowski). Ambas as citações conforme relatado por SINGH, Simon - Big Bang - (pág. 459)
- ↑ "...
qualquer teoria em Física científica é sempre provisória, no sentido de
que é apenas uma hipótese, você nunca pode prova-la em definitivo. Não
importa quantas vezes os resultados das experiências estejam de acordo
com algumas teorias, não se pode ter a certeza de que na próxima vez o
resultado não irá contradizê-las. Por outro lado, você pode refutar uma
teoria por encontrar uma única observação que não concorde com as suas
previsões" - Stephen Hawking - Conforme publicado em Uma breve história do tempo
- ↑ Léon Denis escreveu: "O ideal que proclamam as vozes do mundo invisível não é diferente daquele do fundador do cristianismo". René Kopp também escreveu: "O Espiritismo será cristão ou nada será". Mais detalhes sobre esta percepção podem ser obtidos em O Espiritismo Cristão.
- ↑ O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Cap.15, Fora da Caridade não há salvação, O mandamento maior -Texto
Bíblico- "Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos
saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe
esta questão, para o tentar: -Mestre, qual o grande mandamento
da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu
coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. -Esse o maior e o
primeiro mandamento. -E aqui está o segundo, que é semelhante ao
primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. -Toda a lei e os
profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." (Mateus 22:34-40)
- ↑ O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Cap.15, Fora da Caridade não há salvação, Necessidade da caridade,
segundo Paulo (o apostolo) -Texto Bíblico- "Ainda quando eu falasse
todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não
tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine;
-Ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os
mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando
tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não
tiver caridade, nada sou. -E, quando houver distribuído os meus bens
para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser
queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria. A
caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa;
não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; -não é
desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda
com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas
se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo
sofre. Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade
permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade." (I Coríntios 13:1-7 e 13)
- ↑ O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Cap.4, Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo,
Ressurreição e Reencanação -Texto Bíblico- "Quando o homem está morto,
vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei,
porquanto a ela voltarei de novo." (JOB,
cap. XIV, vv. 10,14) (ID. Versão da Igreja grega) -Texto Bíblico- "Mas,
quando o homem há morrido uma vez, quando seu corpo, separado de seu
espírito, foi consumido, que é feito dele? -Tendo morrido uma vez,
poderia o homem reviver de novo? Nesta guerra em que me acho todos os
dias da minha vida, espero que chegue a minha mutação." (Jó 14:10-14)
(ID. Tradução de Le Maistre de Sacy) -Texto Bíblico- "Quando o homem
morre, perde toda a sua força, expira. Depois, onde está ele? -Se o
homem morre, viverá de novo? Esperarei todos os dias de meu combate, até
que venha alguma mutação?" (Jó 15:10-14) (ID. Tradução Protestante de Osterwald)
Referências
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Para responder, desde já e sumariamente, à pergunta formulada no título
deste opúsculo, diremos que: O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma
ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática
ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos;
como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam
dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma
ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como
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Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico,
nem quem consulte os mortos; / Pois todo aquele que faz tal coisa é
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"Crookes appears to have been initially attracted to spiritualism when
his youngest brother, whom he was quite close to, died of yellow fever.
Brought up with the traditional Christian belief in the afterlife,
Crookes was persuaded to attend a séance in 1867 to try to make contact
with his brother."
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"In 1867, he was devastated by the death of his much-loved youngest
brother who, at the age of twenty-one. had caught yellow fever while
laying a submarine telegraph cable in Cuba. At the time, Crookes was
collaborating with a fellow electro-physicist Cromwell Fleetwood Varley,
who was a pioneer of intercontinental telegraphy, as well as a
clairvoyant. He persuaded Crookes to try to get in touch with his dead
brother by spiritualist means."
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«(...)os adeptos do espiritismo possuem as maiores proporções de
pessoas com nível superior completo (31,5%) e taxa de alfabetização
(98,6%), além das menores percentagens de indivíduos sem instrução
(1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%). O espiritismo também
foi uma das religiões que apresentaram crescimento (65%) desde o Censo
realizado em 2000: passaram de 1,3% da população (2,3 milhões) em 2000
para 2% em 2010 (3,8 milhões).(...)Também na posição mais alta quando se
analisa rendimento, 19,7% dos espíritas se declararam no grupo das
pessoas com rendimento acima de 5 salários mínimos.»
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por "A História do Espiritismo". Em inglês "Spiritualism" significa
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Ligações externasEditar
Obras de Allan KardecEditar